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Edição de terça, 9 de agosto de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 12.)
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O hífen em palavras compostas (II)



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Situações que podem suscitar dúvidas

Conforme prometido na semana passada, passo a apresentar alguns casos em que o emprego ou não do hífen pode suscitar dúvidas. Esses casos estão detalhados na própria reforma ortográfica de 1943, que criou o princípio norteador até hoje do emprego do hífen em palavras compostas: usa-se hífen sempre que há qualquer alteração no significado do conjunto ou de qualquer uma das palavras do composto.

Os reformadores da época, suspeitando que a regra geral poderia deixar dúvidas, resolveram se antecipar e indicar a solução. Portanto, não se trata de exceções. Assim, usa-se hífen:

a) Em derivados de nomes próprios compostos: sul-rio-grandense, porto-alegrense, mato-grossense, sul-americano, latino-americano. Entre muitos outros, são exemplos de derivados de nomes próprios: Rio Grande do Sul, América do Sul, América Latina...

b) Em compostos de dois ou mais adjetivos: histórico-geográfico, verde-amarelo, rubro-negro, político-social-cultural.

c) Em compostos de dois ou mais verbos: corre-corre, quebra-quebra, anda-corre-voa, mata-mata.

d) Em palavras que se repetem e nas que reproduzem sons naturais ou onomatopeicos: tique-taque, blá-blá-blá, zum-zum.

e) Em nomes de santos e de outros nomes próprios tornados comuns: santo-antônio, dom-quixote, sancho-pança.

f) Em combinações substantivas cujo segundo elemento é indicativo de tipo, forma ou finalidade: diretor-presidente, escola-modelo, grupo-controle, turma-piloto, auxílio-natalidade. Quando o segundo elemento não é substantivo, não se usa hífen: diretor administrativo, diretor financeiro.

g) Nos compostos em que o primeiro elemento é forma apocopada (que sofreu redução no final): bel-prazer, grã-fino, Grã-Bretanha.

h) Nos nomes compostos dos dias da semana: segunda-feira, terça-feira, sexta-feira.

i) Nos nomes compostos que designam cargos, repartições, corporações ou agremiações, públicos ou privados, em que o último elemento é a palavra “geral”: advogado-geral, advocacia-geral, secretário-geral, vigário-geral.

j) Nos vocábulos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como “açu”, “guaçu” e “mirim”, emprega-se hífen apenas quando o primeiro elemento acaba em vogal graficamente acentuada ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos: capim-açu, Ceará-Mirim, amoré-guaçu.

k) Antes do sufixo “mor”: altar-mor, guarda-mor.

l) Antes dos pronomes enclíticos, e antes e depois dos mesoclíticos: subscrevemo-nos, adiantar-se, dir-te-ei.

m) Para ligar duas ou mais palavras que se combinam, formando encadeamentos vocabulares: ponte Rio-Niterói, estrada Porto Alegre-Osório, Alsácia-Lorena, relação custo-benefício.

n) Quando o primeiro elemento for “bem” ou “mal” e o segundo começar por vogal ou “h”: bem-aventurado, mal-humorado, mal-estar. Com “bem” também se usa hífen quando o elemento que se segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer: bem-vindo, bem-visto, bem-nascido, bem-falante.

o) Quando o primeiro elemento for “além”, “aquém”, “recém” ou o advérbio “sem”: além-fronteiras, aquém-mar, recém-eleito, sem-teto.

p) Nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas: amor-perfeito, erva-de-passarinho, cana-de-açúcar, ratão-do-banhado, formiga-branca, pimenta-vermelha.

q) Sempre que o primeiro elemento for verbo: abre-latas, mata-cavalo, quebra-queixo, Passa-Quatro.

r) Nos topônimos cujos elementos estejam ligados por artigo: Baía de Todos-os-Santos, Trás-os-Montes.

Exceções

Para confirmar a regra, há as exceções. É o caso de “girassol”, lembrado pelo Desembargador Marco Aurélio Costa Moreira de Oliveira, autor de gentil mensagem que embasará parte do Escreva Direito da semana que vem, quando também serão abordadas as mudanças introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 2008 e pelo VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.


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