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Edição de terça, 5 de julho de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 8.)
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Quem sou? Informado (a) ou desinformado (a) ?



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PONTO UM:

Se fôssemos destacar as principais etapas da nossa evolução como seres que se comunicam – e comunicação significa transmitir informação –, o primeiro grande passo foi quando desenvolvemos a fala, o que se presume por volta de 15.000 a.C. Os sinais e sons que aproximavam os seres humanos foram sendo substituídos pela comunicação oral que nunca mais abandonamos.

A escrita, como forma de informação, só aconteceu por volta de 4.000 a.C, desenvolvida pelos povos sumérios, na antiga civilização mesopotâmica. Recebeu a denominação de escrita cuneiforme, por conta do processo utilizado, valendo-se o escrevente da argila e da cunha, ferramenta de metal ou madeira em forma de prisma.

Outro grande salto nesta caminhada deu-se com a descoberta da imprensa escrita, atribuída a Gutenberg, por volta de 1430 d.C. Com a imprensa escrita um maior número de pessoas passou a ser informado, mas ainda o conhecimento da palavra escrita era detido por muitos poucos, vindo a se popularizar nos séculos seguintes.

Mas, para o horror de nossa civilização, ainda nos dias de hoje a sociedade não foi capaz de vencer o analfabetismo. Estima-se cerca de 790 milhões de analfabetos no mundo, com concentração maior no sul da Ásia, Ásia Ocidental e África Subsaariana.

Foi, porém, no século XX, com o avanço dos meios tecnológicos, que a informação se globalizou com a comunicação internauta, abrindo-se as portas para qualquer tipo de informação.

No século XXI, na sequência, as mídias digitais se tornaram responsáveis por escrever um novo capítulo na história da comunicação, mas trazendo junto à informação comunicada, como se fosse um avatar demoníaco, a desinformação. Esta tem um poder incontrolável – ou quase incontrolável porque somos otimistas! – capaz, por exemplo, de tornar a terra plana!

Sim, porque se você acredita que a terra é plana, sua percepção do fato passa a ser a sua verdade. E da verdade de um para a verdade de todos, os algoritmos atuam em velocidade maior que a da luz. A desinformação é apontada, por estudos científicos sérios, com o potencial de destruir as democracias contemporâneas e, por isso mesmo, um dos grandes flagelos da contemporaneidade.

PONTO DOIS:

E você? É uma pessoa informada ou desinformada? Como saber, até porque se se enquadrar no grupo dos desinformados, sua autocrítica está profundamente contaminada e você se qualificará como informado(a). Desafios da pós-modernidade.

Algumas dicas. Quais os meios de informação de que se vale para se informar sobre questões genéricas, fatos que estão acontecendo ao seu redor? Você acessa 3 ou 4 vezes por semana meios de comunicação que têm nome e sobrenome, seja jornais ou noticiários de televisão ou rádio, preferencialmente buscando nessas vias pelo menos duas com linhas editoriais distintas? Informação também admite versões.

Lembremos o deus da mitologia grega, Hermes, considerado o mensageiro dos deuses e deus da linguagem, que nos gerou a palavra hermenêutica: o dado transmitido pelo hermeneuta carrega em si parte do intérprete. Se você busca uma informação sobre questão mais técnica, mais especializada, busca revistas ou artigos com autoria e fonte identificadas?

Nesses casos, pode-se concluir que você é uma pessoa informada e até bem-informada. Mas saiba que essa não é a nossa realidade majoritária. Por exemplo, no Brasil, 79% da população – e no mundo cerca de 70% - tem como única ou principal fonte de informação o WhastApp.

Outros percentuais altíssimos são identificados em outras plataformas digitais como Youtube, Facebook, Instagram. O problema não está em acessar essas plataformas, mas torná-las a única ou principal fonte de informação, quiçá, de desinformação. Trata-se de meios digitais que não contam com assinatura, nome, endereço, sem falar de uma característica absolutamente própria: a transmissão do dado – falso ou verdadeiro – para milhões de usuários em apenas segundos, ao toque de um dígito. Universo que recepciona a verdade e a mentira (mais a mentira do que a verdade porque sua aceitação é maior), por conta de um único objetivo: lucros astronômicos. Não para quem é (des)informado, mas em favor de quem gere esses espaços cibernéticos.


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