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Edição de terça, 9 de agosto de 2022.
(Próxima edição: sexta dia 12.)
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O “sensível” Roger: os pesos e medidas para treinadores



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Foto: Divulgação/Grêmio Football Porto-Alegrense

Antes de falar em Roger, trago uma das manchetes da ZH, que faz parte do conglomerado que forma a IVI (Imprensa Vermelha Isenta) depois do jogo em que empatou com o Avaí: “Inter com pontuação de G-4”. Genial, não?

O cara que bola essas manchetes logo abrirá sua própria empresa de venda de produtos. Conseguirá vender até óleo de rícino. E geladeira para esquimó!

De todo modo, “isso de IVI não existe”.

Sigo. Outro tema-bomba. O cronista esportivo interino do Blog do Ilgo Wink ironizou Roger Machado, quando, há alguns dias, o treinador falou sobre racismo e política. O cronista chamou Roger de “sensível” – colocando aspas. Despiciendo maiores comentários sobre ironias, sarcasmos e quejandices.

No fundo, o ponto é: Roger não pode. Mas Renato pode. Calma. Explico: Em 2020, o titular daquele blog fazia uma ode a Renato, concordando, ademais, com os elogios feitos pelo treinador a Bolsonaro. Eis o que disse Ilgo: “Secam Renato e, por tabela, secam o Grêmio. Não importa se o resultado da secação pode prejudicar o clube, o que vale é secar ‘esse apoiador do Bozo…’.

E, de forma espetacular, Ilgo fecha o raciocínio: “E secar o próprio Bolsonaro, claro, mesmo que isso ajude a afundar o país ainda mais”.

Na verdade, eu não sabia que criticar Renato, à época, era secação (vejam tudo o que aconteceu no Grêmio, que, aliás, é uma espécie de sucursal política de vários partidos). E não sabia que criticar Renato, além de “secação” (sic), era ruim para o clube. Ou seja: bom é ser chapa branca! Ou entendi mal?

E, por fim, não sabia que, ao criticar Renato, o torcedor secava (i) o time do Grêmio, (ii) o clube gremista e (iii) ainda o próprio país. Poxa. É muita elucubração.

Não parece saudável epitetar os críticos de um técnico - e do modo como joga o time - de “secadores”. Secador é o cara que torce contra o Grêmio. Não conheço esse tipo de gente. Mas parece que Ilgo conhece. Afinal, disse que (i) os críticos de Renato eram secadores do treinador, (ii) do clube e (iii) do próprio país.

Digo eu: Roger pode, sim, manifestar-se. Deve. E, veja-se: é diferente ser Renato e ser Roger em um país como o nosso (não preciso dizer por que, certo?). Felipão tinha simpatias explicitas por Pinochet; Figueroa fez declarações de voto a Pinochet. Renato é fã de Bolsonaro. Tudo rolou – e continua rolando - tranquilamente. Em contraposição, faz algum tempo Cristóvão fez manifestação (em linha política contrária) e...não durou muito. Preciso explicar as entrelinhas?

E mais: Roger fez manifestação em um contexto. Não foi gratuita. Roger sabe onde aperta o sapato em um país chamado Brasil. Basta vermos isso a partir das “aspas” da palavra “sensível”... em um país de “democracia racial”...!

É isso. E não estou misturando nada. Vejam minhas críticas ao Roger, dias atrás, depois do Gre-Nal perdido, etc. Não alivio treinador, independente de suas posições.

E sou fã de Renato, desde que seja o Renato que pega junto. E não o Renato das indicações ruins de contratações, etc., etc., das bravatas e do “sindicato de jogadores”. Se fez tanta coisa boa, é inegável que também fez outras coisas não tão boas assim...

Torcedor torce. Torcedor não quer saber para quem vota seu treinador. Porém, se criticarmos o treinador por eventuais declarações políticas, não devemos ser seletivos.


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