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Edição de sexta, 20 de maio de 2022.
(Próxima edição: terça dia 24 de maio.)

O Grêmio e seus apadrinhamentos



Reprodução/ FUJI_Q

Imagem da Matéria

Por José Horácio Gattiboni, torcedor gremista, advogado (OAB/RS nº 43.053) – gattiboni@sartorigattiboni.com

Todos que têm paixão por futebol, e teve a sorte de ter nascido no RS, ou é gremista ou é colorado; dizem que é de dois terços a proporção, com superioridade tricolor. Junto com nosso agronegócio, são de longe os produtos que mais orgulham o Rio Grande. Ocorre que volta e meia estamos sendo surpreendidos com situações que passou a se chamar “gangorra Gre-Nal”: enquanto um está por cima o outro está por baixo.

Quero divergir deste diagnóstico, pois entendo não ter muito a ver com sorte ou azar e sim com método administrativo e estrutural.

Vou me concentrar no meu Grêmio, que desde 1991 - portanto, em 30 anos - tem sua terceira queda para a série B, com três diferentes diretorias e conselhos deliberativos.

Mantemos a mesma estrutura de decisões em tese, desde meados do século passado; é verdade que temos organização diferente, mas o poder da decisão e a chegada ao poder se dá pela mesmíssima forma, através do chamado apadrinhamento, e não estou a dizer que esteja de todo errado. Só que um orçamento anual de R$ 500 milhões de reais não pode ser assim tratado, na forma do compadrio.

Por conta dos resultados apresentados no campo esportivo, foi protocolado no Conselho Deliberativo um pedido de afastamento do Conselho de Administração. O pedido foi feto pelo Grupo Grêmio de TodosTem apoio maciço dos torcedores comuns explicitados nas redes sociais.

Mas o que deixou atônita a comunidade gremista de 10 milhões de pessoas - o equivalente a três vezes a população do Uruguai - foi a fala de nosso presidente do Conselho Deliberativo. Ela é desconexa com o momento atual, ainda por cima quando é pedida uma suplementação orçamentária de R$ 150 milhões. A conjunção nos faz repensar nosso Conselho de Administração.

Ora, o orçamento do Grêmio, num dos piores anos de sua história futebolística, ultrapassou em mais de 50% o orçamento aprovado, mostrando um total desajuste administrativo no clube, quando se alardeava a exuberância administrativa com que era conduzido o mesmo.

Inobstante, o fato de orçamento ter estourado em R$ 150 milhões o valor autorizado, o presidente do Conselho Deliberativo reconhece que “tal é corriqueiro e acontece todos os anos desde os anos 90”. Ou seja, desde a primeira queda à Série B.

Avalio que este é o fator que nos leva a essa montanha russa administrativa e futebolística: os processos diretivos e organizacionais não respeitam as mínimas regras das boas praticas e nem o limite legal. Antes de se ultrapassar em 50% o orçamento, deveria ter sido chamado o Conselho Deliberativo, a ele pedindo-se a permissão. Ora, não agora no apagar das luzes vir trazer essa conta ao clube e aos seus associados.

Não se discute a princípio a formalidade, e sim o método.

Assim, tenho que não deve ser aprovado tal pedido de suplementação, e sim, deve convocar-se uma assembleia geral dos sócios, precedida por uma auditoria independente, para que isso nunca mais seja corriqueiro em nosso Grêmio. E que o pedido de afastamento do Conselho de Administração seja acatado pelos próprios integrantes – e, não o sendo, que assim decida o Conselho Deliberativo.

Todavia não prego terra arrasada: o Grêmio é construído por gerações, e todos devem ser respeitados. Mas com um conjunto de gremistas estudiosos de todas as áreas do conhecimento humano, iremos apresentar um projeto de gestão, com começo, meio e fim, que não visa a perpetuação no poder, mas dar uma diretriz moderna e produtiva ao clube de nossa paixão.

Todos sabemos, o Grêmio irá voltar maior do que caiu. Mas, se não mudar, irá cair de novo num prazo de 10 anos.

Cabe a nós, gremistas comuns, evitar que isso aconteça.

Fica a lição deixada pelo patrono Hélio Dourado: “Sirvam ao Grêmio, não se sirvam do Grêmio”


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