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Espaço Vital, terça-feira, 07.12.
(Próxima edição: sexta-feira, 10.12)
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A banalidade do mal



Foto: Hannah Arendt Center - Bard College, New York

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Hannah Arendt (filósofa judia, de origem alemã) desenvolveu este conceito da banalidade do mal, em uma de suas muitas obras. Acredito que nunca esteve tão em voga este tema nos tempos atuais.

O mal nos cerca e vence sim! O praticante pode até ser preso, mas logo será solto por outro mais malvado ainda.

Ele, o mal, pode estar nas partes que litigam, nos que defendem, nos que acusam e nos que julgam. O mal é democrático.

Quem defende crimes e arbitrariedades que estão acontecendo em nosso País é porque ainda não foi vítima deles.

Na obra desta filósofa, ela defende que a padronização da sociedade nos tornou incapazes de fazer julgamentos morais. Cumprimos ordens sem contestar e nos curvamos mesmo diante do que nos parece errado.

Antes, era um objetivo de vida ser diferente. Ser rebelde. Revolucionar...

Quem viveu os anos 80 pode comprovar que o bom era ser autêntico... e sonhávamos em nos diferenciar.

Hoje, o bom é ser igual. Todos harmonizados, com rostinhos e sobrancelhas iguais, boca inchada, dentes branquíssimos e regulares, sobre corpos sarados.

Todo mundo hoje é meio digital influencer ou coaching ... A moda é ser feliz no story do Instagram, pois o que vale são as curtidas....

Estamos perdendo nossa identidade e acho irônico falar em diversidade, se todos tentam parecer iguais.

A forma como nos relacionamos hoje é altamente narcisística e buscamos nos relacionar apenas quando o outro vira um espelho que confirma nosso próprio ego.

Talvez por isso exista tanta gente optando pela solidão.  Estamos perdendo a liberdade de movimento, que nos permite ir e vir  para onde quisermos, nós preferimos (aqui me incluo) nos recolher para a nossa liberdade de pensamento que em tese é inviolável. Mas, quanto mais desistimos do convívio, mais a banalização do mal se deleita, já que quanto menos pensamos sobre nossa existência e nas relações humanas, mais duros e insensíveis estamos nos tornando.

Por isso a solidão não nos faz evoluir. Precisamos do outro para praticar o que aprendemos.

É possível ser feliz sozinho, mas é mais divertido ter alguém para dividir  o riso e enfrentar o mal...

“Estar em solidão significa estar consigo mesmo; e, portanto, o ato de pensar, embora possa ser a mais solitária das atividades, nunca é realizado inteiramente sem um parceiro e sem companhia” – como, apropriadamente afirmou Hannah Arendt (* 1906; + 1975), a quem me referi na primeira linha deste artigo.


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