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Espaço Vital, sexta-feira 15.10.
(Próxima edição: terça-feira, 19)
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Flores, jardins, um jardineiro por 17 anos numa rica morada de Gramado



Foto de www.howtofurnish.com – Imagem meramente ilustrativa

Imagem da Matéria


Flores e jardins na justiça

Um jardineiro que prestou serviços contínuos em uma casa de temporada em Gramado (RS) obteve o reconhecimento do vínculo de emprego doméstico. Os julgados de primeiro e segundo graus afirmaram que na relação entre as partes, de 2003 a 2020, estavam presentes os requisitos da pessoalidade, onerosidade, subordinação e continuidade. Foi reconhecida a prescrição quinquenal e a condenação foi provisoriamente arbitrada em R$ 50 mil.

A decisão unânime da 2ª Turma do TST (relator, o desembargador Alexandre Corrêa da Cruz) confirmou a sentença proferida pela juíza Andreia Cristina Bernardi Wiebbelling, da 1ª Vara do Trabalho de Gramado.

O reclamante (Carlos Cassiano da Silva) passou a prestar serviços para os réus (médico psiquiatra Antonio Tadeu Bonalume e empresária Loni Herrmann Bonalume - moradores em Caxias do Sul) após a morte do seu avô, que até então era o responsável por cuidar dos jardins da casa de temporada dos reclamados.

Carlos desenvolveu atividades de jardinagem, cortava a grama, mantinha canteiros - tudo no estilo inglês – limpava calhas e telhados, o que exigia que comparecesse diariamente ao local. O trabalhador possuía a chave de acesso ao terreno.

Os réus afirmaram que o autor apenas prestou serviços como autônomo e nunca em frequência superior a dois dias por semana.  Eventualmente, cortava a grama do jardim, fazendo a limpeza consequente.

O pagamento (um salário mínimo mensal) era feito na conta bancária do avô do autor, e após, da avó.

Os julgados de primeiro e segundo graus declararam a existência de vínculo de emprego, de 1º de março de 2003 a 3 de julho de 2020, na função de jardineiro, com remuneração de um salário mínimo mensal.

O acórdão explicitou que, reconhecida a prestação de serviços de jardinagem, inverte-se o ônus probatório, do qual os réus não se desincumbiram.

Não há trânsito em julgado. Já há recurso ordinário interposto ao TST. Os autos estão conclusos com o vice-presidente do TRT-4, Francisco Rossal de Araújo, para o juízo de admissibilidade, ou não.

O valor estimativo da condenação é de R$ 50 mil. (Proc. nº 0020459-06.2020.5.04.0351).

Para saber quais foram as parcelas deferidas ao jardineiro, clique aqui.


O Jardim Inglês

A empresa Terral, com sede em Inhaúmas (MG) - que nada tem a ver com a ação trabalhista - descreve em seu interessante portal o que é o chamado “jardim estilo inglês”, referido na demanda que tramitou em Gramado.

Também conhecido como “Jardim de Vó” é considerado uma revolução contra os padrões rígidos e simétricos de outros estilos. Formas geométricas ou retas não são permitidas. As árvores e arbustos são, muitas vezes, dispostos de acordo com o porte e a coloração, o que não impede a mistura ou a utilização isolada.

As plantas floríferas e perfumadas de pequeno porte podem compor grandes e sinuosos maciços em meio ao gramado. Plantas que exigem muita manutenção e reformas, assim como arbustos são proibidos.

 
“Os Inimigos não mandam flores”

Apenas para o leitor pensar. Veio à digressão do editor – enquanto redigia o tópico nº 1, acima – uma história e o posterior romance em livro “Os Inimigos Não Mandam Flores”. Surgiu por volta do ano 2000, virou até peça de teatro.

Escrita por Reginaldo Ferreira da Silva (o Ferréz), com quadrinhos de Alexandre de Mayo, mostra o cotidiano de uma população que luta não mais pela esperança - mas para sobreviver.

A história se passa na periferia de São Paulo. Trata de violência, injustiça, desníveis sociais. É um retrato do que a pobreza, a violência e o descaso podem causar.

Para meditar, pois.


Elis Regina, 40 anos de ausência

elis

A gaúcha Elis Regina vai ganhar uma nova biografia, recontada em um livro ilustrado com contornos de realismo fantástico. Assim, Milton Nascimento será um passarinho que a acompanha; Rita Lee, será um ET; e o movimento de 31 de março de 1964 virá apresentado como um grupo de zumbis que invadem o Rio de Janeiro.

"Elis" está sendo desenvolvido há dois anos por Gabriel Duarte, desenhista brasileiro da Marvel. O roteiro e os primeiros detalhes só foram vistos, por enquanto, por familiares da cantora.

A obra é parte de uma série de lançamentos previstos para 2022 – ano lembrado por seu o 40º depois de seu falecimento. Também farão parte das atrações especiais o lançamento dos álbuns "Falso brilhante" e "Elis e Tom", remasterizados; um documentário dirigido por Roberto de Oliveira com filmagens dela em Los Angeles; um outro documentário de Hugo Prata, baseado em entrevistas da cantora nas Rádios Farroupilha e Gaúcha (Porto Alegre) em que ela narra a própria história.

E até um perfume - sintetizando os aromas que correspondem ao que ela usou em vida - está em desenvolvimento.

Nascida em Porto Alegre em 17 de março de 1945, Elis morreu prematuramente com 36 de idade, em 19 de janeiro de 1982. Tive a satisfação de conviver profissionalmente com ela na condição de produtor do programa G.R. Show, que a TV Gaúcha (atual RBS TV) apresentou no final dos anos 60 e início da década de 70.

O também saudoso Glênio Reis era o apresentador.


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