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Espaço Vital, sexta-feira 15.10.
(Próxima edição: terça-feira, 19)

A Frente Jurídica Popular está chegando!



Por Alessandra Camarano, Wilson Ramos Filho e Carol Proner, advogados (*)

“Matem todos os advogados!” (´Kill all the lawyers´), disse Dick, o açougueiro, ao vilão golpista, prestes a tomar o poder. Eis a homenagem que Shakespeare faz aos juristas em Henry VI. Sim, advogadas, advogados, juízas, juízes, pessoas com formação jurídica podem ser “perigosas”.

Bradar contra a ditadura na democracia é fácil; gritar por democracia na ditadura é que é difícil. Talvez por isso um conjunto de pessoas com formação jurídica, inconformadas com o avanço de uma institucionalidade tóxica, resolveu fundar a Frente Jurídica Popular. Para proteger e lutar pela democracia. Sabendo sempre que, no horizonte, está Dick, o açougueiro da peça Henrique VI.

Textos e contextos. Em um país periférico, em que a mais completa Constituição do mundo diz que o Brasil é uma República que visa a erradicar a pobreza, fazer justiça social e diminuir as desigualdades regionais, impedindo discriminações e que, no mundo real, nada disso acontece, parece absolutamente necessário declarar a resistência.

Na verdade, mais do que declarar, constituir. Estabelecer. Fincar pé diante das injustiças. Como é possível que estejamos convivendo com o aumento do fascismo? Eis a pergunta.

A Frente Jurídica Popular é integrada por pessoas dispostas a defender a Constituição e o Regime Democrático de Direito, contribuindo cada qual com seu quinhão e na medida de suas possibilidades. Este é um coletivo desenhado para ser operativo e não burocrático.

De tédio os membros da FJP não morrerão. As frentes de luta são as mais variadas. Difícil é dizer em qual ponta atacar primeiro.

O Estado Social, promessa da Constituição, está sendo desmantelado no pouco que se tinha. Os direitos trabalhistas vão sendo liquidados. Reforma após reforma, até quando? Até que o vínculo de trabalho deixe de existir? O futuro será a uberização?

Some-se a isso os constantes ataques à democracia. Ameaças de golpe. Parece que a luz amarela acendeu. Olhando para qualquer lado, é possível perceber o cio da cadela do fascismo.

Juristas de todo o Brasil que são advogadas, advogados, magistrados, magistradas, procuradoras e procuradores, servidoras e servidores públicos, além de sindicalistas de diferentes cores sindicais estão unidos na Frente Jurídica Popular.

Unidos pelos interesses comuns de preservação e ampliação dos Direitos e Garantias Sociais e Humanas, frente à inversão de valores constitucionais que representa o avanço das teorias econômicas do direito: eis o resumo da Frente Jurídica Popular.

Os nazistas perguntaram para Pablo Picasso as razões pelas quais ele pintou Guernica. “Por que você fez isso?” E ele respondeu: “Eu não fiz nada. Eu apenas pintei”. Assim o é.

Não briguemos com o mensageiro. Briguemos com os fatos que ensejam as mensagens trazidas pelos mensageiros. A FJP sabe bem disso. Afinal, o mensageiro já vem com a mensagem.

Brasileiras e brasileiros sabem ler o seu conteúdo?

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Para melhor conhecer a Frente Jurídica Popularclique aqui.

alessandra

Alessandra Camarano é advogada trabalhista, vice-presidente da AAJ-Rama Brasil, ex-presidente da ABRAT, OAB/DF nº 13.750, integrante do Grupo Prerrogativas.

 

 

 

 

wilson

Wilson Ramos Filho é advogado (OAB/PR nº 10.285), mestre em Direito pela UF-PR, professor de Direito do Trabalho e Direito Sindical.

 

 

 

 

carol proner
Carol Proner é advogada (OAB/RJ nº 220.889), professora da UFRJ, integrante da ABJD.


A PALAVRA DO LEITOR

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