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Espaço Vital, sexta-feira 15.10.
(Próxima edição: terça-feira, 19)
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Perdão, Excelência!



iStock/Arte EV

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À medida em que avançamos no tempo, testemunhamos mudanças em todas as atividades. É fundamental compreender a realidade com a análise das suas causas inevitáveis. Viver mais tempo permite-nos confrontar épocas distintas e as gerações que as moldam.

A advocacia sofre com a mitigação das suas prerrogativas, acumulando queixas e frustrações. A minha geração foi forjada na luta por liberdades e no entendimento que a concessão por parte de um representava um permissivo que atingia a todos. Uma época na qual prevalecia o interesse coletivo da advocacia e não o da concorrência nos negócios.

Os eventuais desrespeitos às prerrogativas desbordavam do pessoal, ensejando a imediata e expressiva reação, postura que também marcou a OAB e a AGETRA.

Em síntese: o mi-mi-mi cedia espaço à luta e à coragem na reação, independentemente do cargo do ofensor.

Mudou muito! Hoje as grandes empresas da advocacia têm abrangência nacional, despersonalizando a figura do advogado como central. Em muitos casos, ele não tem nome, rosto ou características que o identifique. Se de um lado há abusos contra a advocacia, de outro há um comportamento passivo resultante de um incabível temor reverencial.

Inacreditavelmente ouvi de advogados jovens as seguintes indagações: “Será que, se eu recorrer, o juiz ficará chateado? Será que se eu me insurgir diante da postura autoritária, o juiz ficará brabo?”

Não há dúvida de que cada vez a advocacia tem sido diminuída e continuará sendo, até que cheguemos à condição de profissionais meramente auxiliares do sistema. 

Perdemos o protagonismo, assumimos a posição de coadjuvantes e violamos as garantias que nos foram concedidas pelo povo brasileiro no processo constituinte de 1988. Em qualquer sistema quando há vácuo de espaço, outro o ocupará e recuperá-lo torna-se improvável.

No mesmo sentido o chamado “Exame de Ordem” não tem sido utilizado como condutor à formação do advogado como agente de garantia dos princípios fundantes da profissão e de transformação.

O conhecimento da teoria não pode ser mais importante do que a consciência da importância da profissão para a democracia.

Tem sido assim, cada um por si, ... e os abusos para todos.

As grandes bandeiras da OAB desapareceram e verdadeiros absurdos nos são impostos. Eu gostaria muito de reviver aqueles momentos em que, independentemente de ideologia, os valores da democracia e da lei prevalecessem.


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