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Espaço Vital, sexta-feira 15.10.
(Próxima edição: terça-feira, 19)
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Efeitos eternos no ataque hacker ao TJRS ?



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Em maio deste ano, um ataque hacker paralisou as atividades do TJRS de forma total. O prejuízo foi mais grave do que trouxeram a própria pandemia e o trabalho remoto frente a ela. Mais de três meses depois continuam reverberando os efeitos negativos para a advocacia, os serventuários e os cidadãos.

Na semana passada a polícia apreendeu computadores na casa de um servidor do TJRS ligado ao setor de informática. Agentes policiais informaram ter localizado indícios de possibilidade de que as invasões ao TJRS tivessem sido originárias de duas residências: a do funcionário em tela, e a morada de uma juíza também...

Quer dizer que uma magistrada e um servidor de informática do TJRS invadiram o tribunal?

Não! As provas levam a indícios e não a conclusões. O fato de terem sido localizadas portas de acesso nestes dois locais residenciais - como supostos pontos do início da invasão - são uma forma de investigar com profundidade de onde o ataque passou, para chegar à sua real origem.

Como assim?

De uma forma leiga, seria como seguir o rastro de formigas para encontrar o formigueiro a partir do pedaço de bolo. As máquinas do tribunal foram infectadas/invadidas (pedaço de bolo) por alguma brecha (pode ter sido uma formiga que estava conectada ao bolo) e busca-se, nestes computadores, quem estava conectado (servidor/juíza/etc.), como eles foram infectados - para traçar a real origem do ataque.

O trabalho investigativo pode levar muito tempo para ser concluído, seja pelas dificuldades técnicas, seja porque pode ter sido bem feito e apagaram as provas/rastros (o que dificulta, embora não impossibilite, a localização).

Já se passaram três meses. Noventa dias é tempo suficiente para restabelecer sistemas e trazer de volta a paz aos envolvidos no sistema judicial.  O que temos, até agora, são uma combinação de problemas reais demais e comunicação/transparência de menos.

Terrivelmente, os sistemas estão instáveis. A toda hora o TJRS expede certidões de indisponibilidade, mas permanece o caos afligindo quem precisa usar estas ferramentas (que não são a prestação jurisdicional, mas sim ferramentas para se alcançar a justiça), remarcação de audiências em cima do horário por “questões técnicas”. Etecetera...

Tribunal e polícia precisam investigar e encontrar os reais culpados pela invasão e pelo caos que vivenciamos. Da mesma forma como temos o direito de, efetivamente, saber com clareza quais os prazos e os meandros para a solução dos problemas.

Ficar aguardando meses sem nenhuma perspectiva de solução e com comunicação pouco transparente é um desrespeito com a advocacia e uma  afronta à prestação jurisdicional.


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