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Porto Alegre, terça-feira, 14 de setembro de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 17).
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Expedito, o pinto do padre



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Antes da pandemia, o erudito desembargador lecionava num curso para formação de magistrados. Aos doutos alunos exortou que - quando ingressados na profissão - se relacionassem polidamente com os advogados, com a imprensa, e principalmente com a sociedade – “que em última análise é a empregadora da magistratura”.

O douto também recomendou: “Evitem o uso do juridiquês. Façam o possível para estar pelo menos oito horas diárias nos respectivos fóruns, de segunda a sexta. Recordem de sempre falar simples, objetiva e verdadeiramente”.

E arrematou: “Evitem elogios corporativos e sejam objetivos”.

Em seguida, o douto contou uma historinha coloquial de como a comunicação malfeita – que não seguisse os ensinamentos acima - poderia causar problemas.

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Eis. O vigário da cidade de uma comarca interiorana tinha, como mascote, um pinto (filhote de galinha, novo), chamado Expedito. Certo dia, o pinto Expedito desapareceu, e o religioso imaginou que alguém o tivesse furtado. No domingo, no final do sermão da missa, o padre disse que precisava da colaboração da comunidade para resolver um problema pessoal. Então questionou:

- Alguém de vocês aqui tem um pinto?

Todos os homens se levantaram.

- Não, não - disse o vigário. Não foi isso que eu quis dizer. O que eu gostaria de saber é se algum de vocês viu um pinto?

A maioria das mulheres levantou a mão.

- Não, não, repetiu o vigário. O que eu gostaria de saber é se algum de vocês viu um pinto que não lhes pertence.

Metade das mulheres se levantou.

- Não, não! – desculpou-se o vigário, já se atrapalhando. Vou formular melhor. A minha pergunta é uma só. Alguém de vocês viu o meu pinto Expedito?

Duas freiras sinalizaram.

- Esqueçam, esqueçam - atalhou o padre. Vamos continuar a missa!

Por isso, o religioso encerrou a liturgia da palavra e passou para os atos da eucaristia. E não falou mais no pinto.

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No arremate da aula para os futuros juízes, o desembargador fez, então, a comparação pertinente:

- Comunicação confusa, ou mal feita, dá nisso!

Sua Excelência tinha razão.


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