Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre, terça-feira, 14 de setembro de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 17).
https://www.espacovital.com.br/images/doispontos.jpg

Ameaça às eleições de 2022: bravata inepta



Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Imagem da Matéria

PONTO UM:

Sobreveio novo discurso sobre o voto impresso, protagonizado desta feita pelo Sr. Presidente desta nação, eleito pelo voto eletrônico, sem impressão, em 2018. A discussão do voto coletado nas urnas eletrônicas e sua possível impressão não é de agora e tem, admite-se, seus apoiadores. Há também os que defendem a segurança do sistema que desde o ano de 1996 – evidentemente com aperfeiçoamentos ao logo do tempo – vem funcionando no país.

A novidade fica por conta da mensagem ameaçadora vinda do Presidente da República, valendo-se de expressões como ‘eleições limpas’ e ‘voto auditável’ para concluir pela não realização das eleições, ou pela desaprovação do resultado ou por convulsão social. Em última análise, defendendo a contagem manual dos votos impressos pela urna eletrônica. Curioso que desde a década de 1998 (computando-se apenas os anos de votação eletrônica) e até ser candidato à Presidência da República, Bolsonaro exerceu cinco mandatos na Câmara dos Deputados (eleições de 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014), todos obtidos nas urnas eletrônicas, sem impressão de voto.

Aliás, parece ser uma história da família, pois também seus filhos exerceram e exercem cargos no Legislativo por força de sucessos obtidos nas urnas.  Então: nessas eleições por voto eletrônico, sem impressão, não houve fraude? Os resultados não foram, portanto, legítimos? Ou só não são legítimos os resultados desfavoráveis, a exemplo dos citados por ele: a) eleição de Dilma; b) o primeiro turno das eleições de 2018?

Isso sem falar que, instado pessoalmente pelo Tribunal Superior Eleitoral para apresentar provas das supostas e gratuitamente alegadas fraudes, o silêncio falou mais alto. Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia, lembrando Shakespeare.

PONTO DOIS:

O que lava a alma, porém, é que houve reação imediata oriunda das mais variadas fontes: deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados; senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado; ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE; partidos políticos; OAB nacional e seccionais, tribunais regionais, associações ligadas ao Direito Eleitoral - enfim, uma representação universal da sociedade levantou a voz para dizer não às ameaças, claras ou veladas.

As eleições, no Brasil, não ficam aos destemperos de um Presidente, porque, como foi dito, quem determina as eleições é a Constituição. De registrar que quem está no poder não é o poder. Lição elementar do Estado democrático de Direito. Por falar em lições elementares, não é o voto que é auditável e sim o sistema de computação do voto: seja ele manual, eletrônico ou misto.

Voto no Brasil, conforme nossa Constituição, é secreto, dogma inarredável de nossa história eleitoral dos últimos 90 anos e de nossa democracia, não se substituindo por eventuais manifestações pessoais, absolutamente ineptas para arrostar o resultado. Aliás, inepta também a ameaça voltada contra as eleições de 2022, pelo menos enquanto vivermos uma democracia. 


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Mais artigos do autor

https://ensaiosenotas.com/

Amigos x seguidores e a Teoria Dunbar

 

Amigos x seguidores e a Teoria Dunbar

“Segundo o antropólogo britânico Robin Dunbar, - as pessoas encontram limites na quantidade de amigos, estabelecendo um número mágico máximo: 150. Essa limitação tem a ver com o nosso cérebro, mais precisamente o néocortex, que está associado à cognição e à linguagem e encontra limites para guardar informações e realizar conexões”.

Chargista Baggi Jornal de Brasilia

A campanha eleitoral e o fundo bilionário

 

A campanha eleitoral e o fundo bilionário

“O Resultado Primário-9 passou a constituir emenda do relator geral da LDO, que não é submetida ao plenário. É uma espécie de cheque em branco. Essa artimanha orçamentária passou a ser chamada de ´orçamento secreto´,  ou ´orçamento paralelo´. Por tais caminhos legislativos, o fato é que o fundo eleitoral corre o risco de ir a quase 6 bilhões de reais nas eleições de 2022”.

Charge de Gerson Kauer

Os processos lançados em escaninhos de espera indefinida

 

Os processos lançados em escaninhos de espera indefinida

“Na Justiça comum gaúcha ainda vivemos em coabitação com autos físicos e autos eletrônicos. A demora no andamento dos processos físicos frente ao sistema eletrônico já é anterior ao período de crise, embora tenha se acentuado de forma aguda. Muito por conta da suspensão dos prazos e pelos insucessos na sua digitalização”.