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Espaço Vital, sexta-feira 15.10.
(Próxima edição: terça-feira, 19)

OAB/RS suspende preventivamente o advogado suspeito de fraudes em 53 ações judiciais



Imagem: https://newsjuri.jusbrasil.com.br/

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nacueri nardi legenda

Publicação em 29.06.21

O Tribunal de Justiça do RS foi comunicado pela OAB/RS, nesta terça-feira (29), na primeira hora da tarde, que o advogado Neuceri Nardi (inscrição nº 40.288) foi suspenso cautelarmente do exercício da advocacia, ante a suspeita de seu envolvimento em tentativas de fraudes perpetradas em 53 ações contra o Banco Santander, em dez comarcas gaúchas. A suspensão temporária foi aplicada pelo presidente da entidade, Ricardo Breier.

No comunicado – que o TJ gaúcho encaminhou por cópia, aos diretores dos foros de todas as comarcas e à Diretoria Processual da corte – foi expressado tratar-se de reação da Ordem gaúcha como entidade. A suspensão cautelar (por 90 dias) é a maneira de obstar novos passos fraudulentos, ante a demonstrada conduta incompatível do profissional, além de vislumbrada a possível prática de crime para o exercício profissional.

Na semana passada – quando revelados os primeiros fatos – o presidente da Ordem gaúcha, Ricardo Breier já havia dito ao Espaço Vital que “a nossa entidade vai se inteirar dos fatos, e agirá imediatamente, se evidenciado o comportamento profissional reprovável, ainda mais diante das consequências ante o Poder Público – burlas à prestação jurisdicional - e à sociedade em geral. Esta, sabidamente, deposita confiança na instituição OAB e no Judiciário como Poder”.

A decisão que suspendeu o exercício profissional do advogado foi adotada com fundamento no artigo 49, inciso V, do Regimento Interno da OAB/RS, combinado com os artigos 37, § 1º, 68 e 70 da Lei nº 8.906/94.

No portal da OAB/RS – na busca por informações cadastrais, que é uma consulta pública – na ficha correspondente ao advogado Neuceri Nardi, o sistema responde: zero registro encontrado. (PAD nº 1102483.00070414/202120).

Para entender o caso

  • Tramitam na Justiça do Rio Grande do Sul 53 ações - ajuizadas com lastro em documentos falsos – buscando a recuperação de supostas perdas de rendimento da poupança, provocadas por planos econômicos a correntistas do Banco Santander. Todas as ações foram ajuizadas pelo mesmo advogado, que alega ter terceirizado a coleta de clientes e documentos.
  • Um inquérito na Polícia Civil foi aberto para investigar o caso. As ações com documentos falsos tramitam em 10 comarcas do Estado: Arroio do Meio, Camaquã, Canoas, Casca, Erechim, Guaporé, Marau, Passo Fundo, Porto Alegre e Tapejara.
  • Segundo publicação jornalística do portal G.1 e da RBS Tv Porto Alegre - que primeiro revelaram os ilícitos - “examinadas isoladamente, as ações podem não levantar suspeitas, mas, quando comparadas, é possível identificar a fraude. É o caso de quatro cópias de carteiras de identidade anexadas a quatro diferentes ações, que são de pessoas diferentes, mas têm a mesma foto.
  • Exemplificativamente, em Passo Fundo, o aposentado Mario Mohr Bueno, de 64 anos, ficou surpreso ao ver seu nome num dos processos: "Eu não tinha ideia, nem imaginação. Até mesmo a foto e assinatura que colocaram no processo não condizem comigo" – ele afirmou ao jornalista Giovani Grisotti.
  • Como “autor” de uma das recentes ações, tem até quem já morreu. É o caso do Armelindo Zanotto, também de Passo Fundo, que faleceu há 15 anos. No golpe, ele teria “assinado” uma procuração para o advogado em janeiro deste ano. O neto dele confirmou que a foto da identidade anexada ao processo não é do falecido avô.
  • Comprovantes de residência, como faturas de televisão a cabo por assinatura e de energia elétrica, também foram falsificados, como assegurou à RBS TV o perito em documentos Oto Rodrigues. São boletos idênticos, mas com nomes e endereços diferentes. "Os dois códigos de barra são iguais. O falsário trocou a numeração, alguns números ele mudou, mas deixou a maior parte da numeração feita. Então, ele aproveitou uma conta, tirou uma xerox, colocou os dados de personalização de duas pessoas diferentes, usou exatamente os mesmos dados de consumo, são exatamente iguais os valores, até os centavos. Não tem absolutamente nada de verdadeiro” – explicou o perito.
  • O Banco Bradesco também sinalizou ser réu de algumas ações semelhantes – que estão sendo identificadas internamente. A instituição bancária pediu na segunda-feira (28) à OAB/RS, em Porto Alegre, informações sobre o “modus operandi” detectado nas 53 ações ajuizadas em dez comarcas.

Contraponto

Nos telefones divulgados, as ligações que buscaram contato com o advogado Neuceri Nardi resultaram negativas, ou não foram atendidas. Dois e-mails enviados a ele retornaram com a especificação de “endereço eletrônico inexistente”.

Quando os fatos vieram a público em 23 de junho, o advogado Neuceri Nardi disse à RBS Tv que “a busca por clientes e a coleta de documentos para o ingresso na Justiça foram feitas por uma empresa terceirizada, a Ello Consultoria”. Ele afirmou também, "ter contratado essa empresa para fazer o serviço em campo pra mim e essas pessoas passavam os documentos via e-mail com os PDFs desses documentos, e eu não percebi que eles tinham adulterações e utilizei eles nos processos. Agi de total boa-fé, não tem nada que possa me afetar, o meu profissionalismo". Nardi disse também que registrou ocorrência na Polícia Civil, acusando a Ello de fraude.


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