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Porto Alegre,sexta-feira, 5 de março de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 9).

Arremeteu! E agora?



Turismo em Foco.

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Por Robert Zwerdling, piloto de linha aérea e diretor responsável pelo Canal ASA – Aviation, Space & ATC, no YouTube.

 

Muitos usuários do transporte aéreo se assustam quando a aeronave arremete, ou seja, executa um procedimento de aproximação perdida. Para aqueles que desconhecem o dia-a-dia dos aviadores, ou que trazem consigo um certo receio de voar, pode parecer que exista uma situação de extremo perigo. Mas, não há nada para se preocupar. Trata-se de uma manobra corriqueira, que é treinada exaustivamente pelos pilotos, desde o ingresso nas escolas de aviação.

Já nas primeiras aulas, teóricas ou práticas, os instrutores costumam dizer, em tom de brincadeira, que ´o pouso é uma arremetida que não deu certo´. Porque eles querem enfatizar, que o aviador deve estar sempre preparado para executar o procedimento de aproximação perdida, ou seja, a arremetida.

Basicamente, num jato comercial, se aplica a potência máxima, recolhe-se um pouco do flape – dispositivo que ajuda no aumento da sustentação da aeronave e que o passageiro nota como uma extensão da parte posterior da asa – e recolhe-se o trem de pouso (conjunto das rodas).

Segundos depois, o piloto traz a potência dos motores para o regime normal e termina de recolher os flapes. A tripulação faz o cheque de itens, como se o avião tivesse acabado de decolar. Para em seguida, preparar uma nova aproximação ou alternar o pouso para outra localidade.

Mas, por que o piloto arremete ou deixa de pousar no aeroporto programado?

Os motivos são muitos. Uma aproximação não estabilizada, por exemplo. O que isso significa? Que, por alguma razão, a aeronave chegou mais veloz do que o previsto, ou mais alta, em relação à rampa ideal. E se o piloto forçar a descida, pode levar a aeronave a uma situação indesejada, como a de não conseguir parar nos limites da pista.

Outro motivo, que pode levar um voo a arremeter, é a solicitação vinda da torre de controle, porque uma aeronave que pousou à frente não livrou a pista. Ou ainda no caso de um piloto ter informado ao controlador de voo, que avistou um animal na área de manobras. Neste caso, a administração aeroportuária terá que fazer a busca e o cheque da área, garantindo a segurança das operações.

Com a chegada do verão e as trovoadas da tarde, é normal se observar um maior número de arremetidas, em função da meteorologia adversa. As nuvens pesadas, denominadas cúmulo-nimbos (CB), podem vir acompanhadas de chuva forte, granizo, descargas elétricas e ventos cortantes, que devem ser evitados pelos aviadores.

Na história da aviação, houve muitos acidentes que tiveram como causa a operação neste cenário caótico. As aeronaves modernas são equipadas com um sistema que alerta os pilotos sobre a presença de ventos cortantes, em inglês “windshear”, e o único procedimento recomendado é a arremetida. E neste caso, se as condições meteorológicas não melhoram num curto espaço de tempo, o voo prossegue para um aeroporto de alternativa.

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O canal ASA - Aviation, Space & ATC foi criado em julho de 2018; difunde a cultura aeronáutica e informações sobre segurança de voo, história de companhias aéreas e aeronaves, controle de tráfego aéreo, infraestrutura aeroportuária, etc. Para acessar, clique aqui.

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