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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de abril de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 20).
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O Peru abalado pelo sexo quase jurisdicional



Chargista Nani / Nanihumor.com

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O mundo jurídico notabiliza-se pelo culto às tradições, talvez inspirado na ideia da longevidade das normas e do retorno à genética legislativa no esforço interpretativo. O tempo do Judiciário não é o tempo da vida e seria ótimo que a nossa existência fosse medida por ele, uma possibilidade de vida eterna.

Não faz muito, as mulheres que não fizessem uso de saias ou vestidos eram impedidas do ingresso nas cortes – aliás a designação é própria do conservadorismo monárquico.

Há uma variação de estilos, perucas, toucas rendadas, mesas mais elevadas que as demais e meirinhos com meia-toga (“capinhas”...) servindo café e água em meio a um cenário guarnecido por muitos livros.

O inusitado foi testemunhado em solenidade realizada no Tribunal de Justiça do Piauí, onde a temperatura em Teresina era superior a 40 graus. Os desembargadores utilizavam a toga que era debruada por um simulacro de pele branca.

É assim que se consolida a chamada liturgia do cargo, expressão utilizada pelo ministro Marco Aurélio. Não é exclusividade do Judiciário, pois o mesmo ocorre com religiões e seitas. Papas, bispos, padres, freiras, mães-de-santo, etc.

Na catedral de Toledo (Espanha) as missas eram presenciadas apenas pelos sacerdotes, postados à frente do altar-mor. Os demais mortais permaneciam na parte de trás do altar, com o direito a ouvirem o latinório, as sinetas e sentirem o cheiro do incenso. A imaginação do povo corria ilimitadamente solta em versões misteriosas.

O juridiquês faz parte desse mistério inacessível.

As atuais audiências virtuais, realizadas com os atores em suas respectivas casas, revela ao mundo algo que surpreende: juízes dormem e roncam em audiências; crianças e animais insistem em aparecer nos monitores; promotores e procuradores são afligidos pela flatulência; e, em máxima revelação acontecem alguns fetiches sexuais.

No Peru um advogado criminal, terminada a solenidade judiciária, dá início a outra sem desligar a câmera. Freneticamente enrosca-se com uma mulher, revelando seus impulsos.

A persistir o isolamento social certamente testemunharemos ainda mais. Lembram do desembargador catarinense que exibiu nas redes sociais as marcas deixadas em seu corpo pela agressiva companheira? Como ele estava de costas para um espelho, sem necessidade exibiu a imagem parcial dos seus glúteos.

Não creio que isso tudo seja obra do acaso ou do descuido. A repetição das cenas pode ser uma forma inconsciente de reagir a um sistema jurídico e judiciário “fake”, um verdadeiro faz-de-contas. Feito para não funcionar e blindado para as críticas.

A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro impôs aos juízes de primeiro grau o uso da toga. Entre um e outro andares no prédio havia escadarias utilizadas pelas excelências. O corregedor de então recebeu um grupo de advogados para tratar do tema: justamente o uso da toga.

Antecipou-se o corregedor explanando acerca das vantagens das vestes. Após a longa abordagem um advogado comentou: “Doutor, respeitamos a posição do tribunal mas o problema não é esse. Nossa reação decorre do fato de a doutora Marília usar apenas a toga, escandalizando a todos quando sobe os degraus”.

Tenho uma leve suspeita de que a chamada inteligência artificial além de colocar fim à nefasta terceirização da função jurisdicional, também soterrará instintos e compulsões, até então secretos. Outra nova blindagem, agora cibernética.

Enfim, máquinas não dormem, não roncam, não sofrem de flatulência, não promovem nudez e pelo que se sabe até agora, não exibem suas excentricidades sexuais.


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