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Porto Alegre, terça-feira, 11 de maio de 2021.
(Próxima edição: sexta-feira, 14).
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Se Renato fundar um time, o Grêmio perderá metade da torcida!



Edição EV sobre foto One Football

Imagem da Matéria

Neste Jus Azul pós-tragédia praiana, o título é de um usuário do Facebook, Fábio Victoria. Ele tem razão. O culto à personalidade já levou regimes à breca. Em Budapeste visitei um campo, maior do que de futebol, repleto de bustos e estátuas do antigo regime. De Stalin às lideranças húngaras, tudo estava “reificado”. É como se uma estátua fosse algo ontológico, em que homem e bronze se fundem.

Pois no Grêmio parece que isso é assim. Agora, com a derrota acachapante contra o Santos, numa imitação dos 5x0 para o Flamengo, até chapas brancas como Ilgo Wink querem pular da barca. Aviso: ser chapa branca é na alegria e na tristeza. Não tem essa de ser só amante.

Como não sou chapa branca – e nenhuma democracia sobrevive se não tiver fortes críticas – vinha avisando. Eu e metade ou boa parte da torcida gremista (atenção: refiro-me à torcida gremista; não ao oficialismo). Falamos e avisamos. Alertamos para o negacionismo ludopédico.

O jogo em Porto Alegre foi um aviso sinistro. Renato não soube interpretar. E, cá para nós, um clube precisa ter accountabillity para com sua torcida: por que Kanemann ficou no banco? Por quê? Temos o direito de saber. Até o meio dia de quinta, não se sabia.

O que faltou no jogo na Vila Belmiro? Faltou o “fator Didi”. Em 1958, o Brasil leva um gol cedo da Suécia, na final do Mundial. Didi pega a bola e caminha com ela até o centro. E conversa com os companheiros.

No Grêmio, faltou Didi. Depois de uma cagada (e a expressão tem que ser assim) em que levamos um gol aos 11 segundos, o mínimo a fazer é um bolinho no meio do campo dizendo: “PQP; não vamos deixar que isso nos f...; vamos ter uevos! Cojones!”.

Mas, não. Tanto é que no instante seguinte quase levamos o segundo. Por causa de outra tentativa ingênua de driblar na frente da área.

Outra coisa: que história é essa de, saída a bola no meio do campo, atrasar para zagueiro? Essa frescura de ficar fazendo tic e tac na frente da área?

Bueno: como avisei aqui no Jus Azul, cobiçando a mais bela (Libertadores da América) podemos ficar com uma não tão bela (Copa do Brasil). E se não ficamos com a não tão bela, poderemos ficar com a que consideramos a feia, a moça chamada Campeonato Brasileiro. Porque se jogarmos assim, de forma folgada num misto de arrogância com o São Paulo, só nos restará a mais feia.

O problema é saber se a mais feia ainda vai nos querer. Afinal, dizem que contra o Sport vamos poupar. Poupar? Para gastar quando?

Ora, jogadores como Kanemann e Geromel nem conhecem o Nordeste.

Volto ao título deste Jus Azul Extra: “Se Renato fundar um time, Grêmio perderá metade da torcida”! É que o  chapabranquismo, num misto com culto à personalidade, como dizia o ponta esquerda do time da antiga URSS, é a doença infantil do futebolismo. Se me entendem a ironia.

Recuperemos, pois, a capacidade de indignação, oh, time do Grêmio! Porque a torcida tem essa capacidade! Ajudem-nos!


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