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Porto Alegre,sexta-feira, 5 de março de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 9).
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Para que serve a pontuação - 2



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Na edição anterior de Escreva Direito, abordamos os sinais externos de pontuação, aqueles que marcam o encerramento de frases. A partir de agora, vamos buscar o domínio dos sinais internos, este bem mais complexo.

2. Sinais de pontuação internos: são eles o travessão, as aspas, os parênteses, chaves e colchetes, os dois-pontos, a vírgula, e o ponto e vírgula.

– Travessão: uma espécie de barra horizontal, o travessão é frequentemente confundido na prática com o hífen, que, por sua vez, não é sinal de pontuação, mas marca de grafia de palavras compostas. Há duas características gráficas que distinguem os dois sinais: além de ser maior que o hífen, no travessão deixa-se espaço antes e depois, enquanto no hífen não se deixa espaço. No programa Word, é essencial fazer a digitação correta: digita-se espaço antes, segue-se o hífen e, na sequência, outro espaço; feito isso, o programa transforma o hífen em travessão de forma automática; em caso de qualquer diferença nessa digitação, a transformação não ocorre e não haverá um dos espaços necessários ou mesmo os dois.

Também as funções dos dois sinais são distintas: enquanto o hífen separa elementos de uma palavra composta, o travessão, como sinal de pontuação, separa palavras ou conjuntos de palavras.

O travessão pode cumprir basicamente duas diferentes funções:

a) Para indicar o início da fala e seu encerramento quando o narrador prossegue: – Como vai? – Perguntou a moça. Como o travessão já marca a fala de alguém numa narrativa, é redundante colocar essa fala entre aspas, sem contar que isso causa grave prejuízo estético ao texto; para essa finalidade, em alguns meios ainda se usa travessão em tamanho maior. Num diálogo, o travessão marca a mudança de interlocutor.

b) Em lugar das vírgulas que marcam intercalações ou deslocamentos dentro da frase: Qualquer advogado experiente – e não precisaria estar muito atento – notaria seu disfarce. Quando a vírgula coincidir com o início da expressão colocada entre travessões, ela é transferida para depois do segundo travessão: Para ser advogado – advogado dos bons –, é necessário perspicácia. Nesse exemplo, caso se retirassem os travessões, ficariam as duas vírgulas: Para ser advogado, advogado dos bons, é necessário perspicácia. Observe-se que sem os travessões a frase perde em ênfase. Então, aí vai uma dica: se houver intenção de enfatizar, é indicado o uso dos travessões em vez das vírgulas.

Aspas: as aspas são usadas com variados objetivos:

a) Para distinguir palavras ou expressões estranhas ao léxico formal do idioma, por pertencerem a outro idioma, por se tratar de gírias ou por uma razão ou outra que o autor queira deixar marcada: data vênia, site, common law

    b) Para, por questões de honestidade intelectual, marcar textos que não são de autoria de quem está escrevendo. Estas aspas são comumente substituídas pelo uso de tipo de letra diferenciado, em corpo menor, em itálico, ou por outro recurso, como o recuo. Apesar de ser uso muito recorrente, não se deve lançar mão de duplicidade de recursos, como modificar a letra e usar aspas. Quando ocorre de ter que usar aspas num texto que já está entre aspas, recorre-se às aspas simples, ou ao uso de letra diferenciada.

    c) Para marcar títulos de artigos de periódicos, de capítulos de livros e de títulos, partes, etc. de códigos.

Importante: Com o advento dos modernos recursos disponibilizados pela informática, recomenda-se substituir ao máximo as aspas por outros recursos. O uso insistente de aspas causa prejuízos de ordem estética, sem contar que pode desviar a atenção do leitor.


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