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Porto Alegre, sexta-feira, 16 de abril de 2021.
(Próxima edição: terça-feira, 20).
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Vidas negras importam: uma homenagem à heroína Maria Guerreira



Imagem: Google

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PONTO UM:

O movimento nacional da consciência negra é celebrado no dia 20 de novembro, que lhe foi dedicado. Mas vou dizer o óbvio: é um movimento que deve ser lembrado e homenageado 365 dias por ano. Por que? Porque é o mínimo que se pode fazer para saldar uma dívida histórica e sangrenta contra o negro, na tentativa de tornar este país mais democrático e inclusivo.

Democracia e inclusão concretizam o Estado de Direito. Ideal que jamais será alcançado se não conseguirmos olhar o outro, negro, branco, pardo, como nós mesmos: objetificar o ser humano é uma praga pior que o câncer, a Aids, a Covid-19.

As celebrações de 20 de novembro surgiram na segunda metade dos anos setenta, em plena ditadura militar, a partir de movimentos de grupos combatendo o racismo. Desigualdade endêmica, cujo origem está no século XIX, século da escravidão negra no Brasil.

A escolha do dia se contrapõe ao 13 de maio, quando assinada a chamada Lei Áurea e que longe está de representar a verdadeira história da escravidão e da negritude no Brasil. Homenageia Zumbi dos Palmares, herói negro, que morreu nessa data: 20 de novembro de 1965. Foi no Rio Grande do Sul que esses movimentos sociais contra o racismo cunharam o Dia da Consciência Negra, posteriormente oficializado pela Lei nº. 12.519, de 10 de novembro de 2011. 

Um dos heróis desta luta foi o professor e pesquisador gaúcho, Oliveira Silveira. Mas quero falar, em especial, de uma heroína negra: Maria Felipa de Oliveira, que passou para a história como Maria Guerreira e que pela Lei nº. 13.697, de 26 de julho de 2018, teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, que se encontra no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”.

PONTO DOIS:

Quem foi Maria Guerreira? A história e a lenda se misturam, mas o que é mais relevante não passa despercebido. Salvo se fecharmos os olhos porque não interessa ver. Nos anos vinte do Século XIX trava-se no Brasil a luta pela independência do reino. Movimentos se espalharam pelas províncias. Na Bahia, os movimentos inspirados pelo sentimento federalista ficaram conhecidos como Independência da Bahia, que se estendeu entre 19 de fevereiro de 1822 a 2 de julho de 1823, resultando na inserção da então província na unidade nacional brasileira.

Maria Felipa de Oliveira, nascida em data desconhecida na Ilha de Itaparica, descendente de negros escravizados oriundos do Sudão, que trabalhava em lides braçais e na pesca, participou ativamente dessa luta, liderando um grupo de 200 pessoas, entre índios e mulheres negras, queimando embarcações portuguesas e impedindo seu avanço na invasão do território baiano.

Conta-se que Maria Felipa fez uso, inclusive, da planta cansanção, que produz efeito urticante e vesiculante, aniquilando o inimigo com a sensação dolorosa de queima da pele. Mais de 40 embarcações portuguesas foram queimadas e destruídas pelo grupo liderado por ela. Negra, trabalhando na pesca, filha de escravos, deixou seu nome e sua garra na história deste país, nos legando uma nação independente.

Obrigada, Maria Guerreira!


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