Ir para o conteúdo principal

Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.

Andrew Salomon e a constelação familiar



Imagens: quadro "Melancolia" de Edvard Munch via cvv.org.br / capa do livro via Amazon

Imagem da Matéria

Por José Carlos Teixeira Giorgis, desembargador aposentado do TJRS e diretor do Memorial Judiciário (RS)

Andrew Salomon está entre nós. Há quase vinte anos publicou um dos livros mais significativos sobre a depressão (“O Demônio do Meio-Dia”) onde, com graça e talento, narra sua experiência, uma jornada cândida, fascinante e exaustiva, como ali a define.

A depressão é a imperfeição do amor, diz ele, pois para se amar a criatura tem que ser capaz de se desesperar ante as perdas e a doença é o mecanismo destes desesperos; é um nascimento e uma morte; ao mesmo tempo é uma nova presença e o total desaparecimento.

Salomon tentara diversas terapias de grupo, todavia a que lhe pareceu mais sutil e orientadora baseou-se no trabalho de Bert Hellinger, um ex-sacerdote que foi missionário entre os zulus e que deles trouxe o seu método: a constelação familiar.

Hoje também usada para a solução de problemas nas relações familiares na cena judiciária, consiste em buscar no passado, através de um psicodrama, problemas e dificuldades que se manifestaram em gerações anteriores (suicídio, morte, alcoolismo, abuso, incesto, doenças) que podem haver repercutido no trauma atual, sem que o agente dele soubesse.

A pessoa vê representada a existência passada, como forma de trazê-la à consciência. Escolhe-se entre o público quem represente o pai, a mãe, a irmã, o avô, pessoas totalmente desconhecidas que, com o cliente, vão prospectando o drama passado, chegando a ocorrer reações nos atores, como se “sentissem” as dores do pretérito.

Salomon, isso em 1998, participou de um tratamento intensivo com Reinhard Lier, discípulo de Hellinger, com algum ceticismo transformado em respeito durante transcurso do processo. Um grupo de 20 pessoas, conta ele, reuniu-se e estabeleceu laços de confiança através de alguns exercícios. Pede-se a cada um que construa a narrativa do evento mais doloroso de sua vida, o que é compartilhado, escolhendo-se pessoas do grupo para representar figuras da narrativa. Segue-se uma espécie de dança coreografada, colocando-se as pessoas umas frente às outras, movendo-se o sujeito em torno delas, enquanto reconta sua história.

Salomon escolheu a morte de sua mãe como ponto de origem de sua depressão. As figuras conversam entre si. O sujeito se impregna, como se falasse com a mãe. No final adquire uma espécie de calma, o que não resolveu o problema do escritor, mas lhe trouxe uma espécie de paz e compreensão para enfrentá-la.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

Notícias Relacionadas

Imagem: Freepik - Arte EV

Desculpas e desagravos. Para quem?

 

Desculpas e desagravos. Para quem?

“Era junho de 2018: um cidadão trabalhador busca na Justiça do Trabalho a satisfação dos direitos de que entende ser merecedor. É novembro de 2020: os privilegiados foram os que negaram o acesso à Justiça, que valorizaram a forma encenada, teratológica e abusiva de não entregar alguma jurisdição, em detrimento da legalidade sociojurídica”. Artigo de Álvaro Klein, advogado de trabalhadores.

Chargista Cazo

Para o crime não compensar

 

Para o crime não compensar

“A soltura de André do Rap não teria ocorrido se estivesse valendo a prisão em segunda instância. Esse estatuto vigorou por 21 anos e foi derrubado pelo STF justamente quando políticos poderosos e grandes empresários começaram a ser presos”. Artigo do senador Lasier Martins.

Edição EV sobre imagem COLEPRECOR

O engodo

 

O engodo

“Não podemos mais tolerar o descaso e até o deboche com que nossos direitos são tratados! Processos parados e agora ...tudo é culpa da pandemia”. Artigo da advogada Bernadete Kurtz.