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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.

O cafezinho da discórdia



Imagens: Nathan Lopes/UOL/Guri de Uruguaiana/Google - Montagem: EV

Imagem da Matéria

"Vamos tomar um café?" Este pode ser um convite clássico para construir relações e trocar boas ideias! O tempo para tomar um café pode significar um momento de criatividade, uma reunião, construir um networking, fechar um negócio, desfrutar dos prazeres da vida!

Ou - como era o caso do advogado Gustavo Teixeira Segala - o cafezinho seria um reforço energético. Ele havia se deslocado bem cedo, na manhã, de Maravilha (SC) a São Gabriel (RS) para encontrar-se com o colega Tiago Machado Battaglin e, dali, partirem juntos para Alegrete. Nessa comarca fariam a defesa de um réu - acusado de homicídio - que está preso preventivamente. Os dois profissionais da advocacia resolveram não parar em nenhum local de conveniência para evitar riscos de atraso.

Audiência iniciada, foi ouvida uma testemunha, houve um intervalo. O advogado Segalla deu rápida saída para ir ao banheiro e, ao retornar, perguntou numa dependência forense, a uma funcionária terceirizada: “É possível conseguir café?” Gentil, ela respondeu afirmativamente.

Cerca de dez minutos depois ocorreu o que muitos já viram no vídeo da audiência. No ambiente tenso da Vara Criminal, uma divergência fora da liturgia jurisdicional. O juiz Rafael Echevarria Borba - quando percebe a entrada, na sala, da funcionária portando uma garrafa térmica e copos plásticos - questiona o defensor Gustavo Teixeira Segalla: “Doutor, o senhor pediu cafezinho à funcionária?”.

O advogado confirma, elogiando a boa-vontade da trabalhadora terceirizada. Esta começa a dar meia-volta. O magistrado complementa: “O café não é para o público. Nós não temos esse tipo de serviço no fórum, nem verba para isso, mas a senhora pode dar (...). Mas qualquer prestação de serviço aqui dentro é só com ordem do diretor do foro, que sou eu”.

Aborrecido, o advogado Battaglin recusou o café: “Depois do que vi e ouvi, não me faria bem”...

Os demais participantes da cena entreolharam-se e tomaram seus cafezinhos. E o juiz seguiu sorvendo seu chimarrão, numa cuia avantajada - de tamanho semelhante às que são usadas pelo simpático Guri de Uruguaiana.

Ainda na audiência, o advogado Segalla anunciou que faria um depósito judicial “para não onerar o Estado”. Ontem, seu colega Battaglin disse ao Espaço Vital que - como o preço do conteúdo de uma térmica de café, na região, é de 15 reais - os dois farão um depósito em valor dobrado. “Serão 30 reais para não onerar o Estado”. (Proc. nº 0001967-20-2020.8.21.0002).

Contraponto

Por meio da Assessoria de Imprensa do TJRS, o Espaço Vital ofereceu ao juiz Rafael Echevarria Braga a oportunidade de fazer seu contraponto, ou manifestar-se.

Eis a resposta: “O magistrado agradece o espaço, mas como a matéria está sub judice, prefere não se manifestar”.

Nada a declarar

O Espaço Vital fez contato, via WhatsApp, com o presidente da Subseção de Alegrete, advogado Valdir Vaz, que também participou da audiência. Pediu-se que ele se manifestasse como profissional da advocacia e/ou como presidente subsecional.

Não houve qualquer resposta.

Ficção constitucional...

A “rádio-corredor” da OAB-RS - onde a desavença rubiácea repercutiu - fez ontem uma jurídica difusão.

Irradiou que “volta e meia é arranhada a propalada paridade entre advocacia e magistratura, sendo então o artigo 133 da Constituição uma mera ficção”.

Faz sentido.

A PAZ como simbologia forense

Em 16 de março deste ano, o portal do Tribunal de Justiça do RS divulgou uma outra face - muito elogiável - do Foro de Alegrete.

O Espaço Vital reproduz o texto, elogiando - ainda que fazendo-o apenas oito meses depois - a iniciativa da juíza Marcela Pereira da Silva. A proposta dela poderia ser imitada na mesma repartição forense.

O texto na íntegra - produzido pela Assessoria de Comunicação Social - pode ser acessado nesta mesma edição. Clique Aqui!

Delicadeza e gentileza pega as pessoas de surpresa e acaba, de certa forma, desarmando conflitos”.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

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