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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.

Juiz suspeito de desviar R$ 50 milhões perde o cargo, mas ganha aposentadoria...



Imagem: Freepik

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O juiz Flávio Prado Kretli, acusado de desviar R$ 50 milhões de empresas falidas perdeu o cargo na magistratura de Minas Gerais. Ele atuava na 3ª Vara Cível de Sete Lagoas, a 70 km de Belo Horizonte. As informações são da TV Record Minas Gerais, cujo repórter Ezequiel Fagundes teve acesso à decisão proferida em processo que tramitou com segredo de justiça.

O julgamento foi proferido por 25 desembargadores. Como Kretli não apresentou recurso, a decisão transitou em julgado.

No acórdão de 140 páginas, os magistrados apontam que o ex-juiz é suspeito de estar envolvido em um esquema em que advogados que seriam seus cúmplices eram nomeados pelo próprio magistrado para administrar massas falidas de empresas. Em um trecho do documento, é citado um pagamento duplicado de um alvará que teria rendido, no total, quase R$ 5 milhões.

O magistrado foi punido com a pena máxima prevista na Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), que é a aposentadoria compulsória; assim, ele perdeu o cargo mas continua recebendo salário de forma proporcional ao seu tempo de atuação como juiz.

Nos autos do processo, Kretli também é acusado pelo MP-MG de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. Na lista de bens do ex-juiz, aparecem carros importados, caminhões, diversas propriedades em áreas urbanas e rurais, sociedade em empresas de extração de eucalipto e um investimento de R$ 1 milhão na plantação destas árvores. Uma juíza que trabalhou junto com Kretli e aparece no processo como testemunha afirma que o ex-magistrado disse que estava tendo muitos lucros e pretendia, inclusive, comprar um helicóptero.

Além de ter perdido o cargo, Kretli também está sendo investigado pela Polícia Federal. Uma das principais testemunhas do processo, familiar do ex-juiz, acusa Kretli de angariar interessados em comprar parte das massas falidas das empresas. O inquérito na Polícia Federal corre em segredo de Justiça.

A Record TV Minas tentou entrar em contato com o ex-juiz Flávio Prado Kretli, mas não obteve retorno. O TJ=MG afirmou que “a instituição não fornece o contato de qualquer um dos magistrados”.


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