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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 23 de outubro de 2020.
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Democracia em abundância não prejudica



Imagem: Prime Com. Visual

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         O Campeonato Brasileiro ainda está no início e muita coisa acontecerá, inclusive como a perda de dois valiosos pontos pela falta de cautela de um atleta nos últimos segundos de uma partida. Coisas do futebol e do inusitado das competições.

         Há uma semana protocolei junto à mesa do Conselho Deliberativo um requerimento pedindo que fosse promovida  uma consulta virtual ao quadro social para apurar acerca do desejo de adiar as eleições previstas para novembro, em primeira fase. Foi fundamentado na previsão de assembleia geral extraordinária e no fato de que fomos atropelados pela pandemia, a exemplo de várias outras atividades públicas e privadas. 

         Decorridas duas horas da sua apresentação, a mesa do Conselho por unanimidade indeferiu o pedido, sob o argumento da falta de previsão legal.

         A democracia é um princípio e a imprevisibilidade dos fatos uma realidade. É raro que um corpo de normas internas profetizasse o fenômeno da pandemia pelo Covid- 19 e os riscos inerentes.

        Paralelamente ao decidido, verificamos que empresas suspenderam as suas atividades, o futebol sofreu uma paralisação, verbas orçamentárias foram apropriadas por outras rubricas e até mesmo as eleições municipais sofreram um adiamento de trinta dias.

         De fato, não fosse o coronavírus e a posição que figuramos na classificação, pouco importaria a data designada para as eleições. Não é demasiado sublinhar que o campeonato de 2020, somente será encerrado em 2021. Em decorrência, a troca de comando no Inter ocorrerá em pleno campeonato, bem como a evidente instabilidade incidente.

         Tive um professor de Direito, homem calejado pela vida, que transmitia aos alunos o seu conceito da ciência jurídica: “É a única ciência exata, pois com o fundamento que encontrarmos poderemos fazer exatamente o que quisermos.”

         Em resumo, o que determina as ações da democracia é a vontade política e não as justificativas.

         Democracia em abundância não prejudica.

         Que fique bem claro aos donos do Internacional, os seus sócios, que a dificuldade adicional foi uma escolha.


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