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Porto Alegre (RS), terça-feira, 22 de setembro de 2020.
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Prova científica: Como a IVI (des)constrói coisas com palavras



Montagem de Gerson Kauer sobre imagem Camera Press

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Acreditem.

Depois de mais de 80 livros publicados, algumas coisas aprendi. Farejo de longe o “migué”. Vou mostrar isso. Não desistam da leitura.

O mega famoso linguista John Austin escreveu o livro “Como construir coisas com palavras”. Ele mostra que existem três tipos de falas – a locucionária, a ilocucionária e a perlocucionária. A tese também é conhecida como “Quando dizer é fazer!”

Uma fala é locucionária quando apenas constata um fato. Exemplo: o Inter foi para a segunda divisão.

Parto direto para a perlocucionária, pela qual o discurso consiste em dizer algo para produzir certos efeitos sobre o interlocutor. Quer persuadir, confundir o ouvinte. Por exemplo: o Inter disputou o Brasileirão série B. A fala busca persuadir o ouvinte de que “essa história de série B para o Inter não foi bem assim; Inter disputou outra coisa”. Onde está o furo da fala? Simples: quando a IVI falava do Grêmio na segunda divisão, sua fala perlocucionária era “o inferno da segundona”. Dá para captar?

“Dizer é fazer” ou “dizer é desfazer”, eis os lemas da IVI. Musto cometeu pênalti e, erradamente, não foi expulso. Esse é discurso locucionário. Só que, perlocucionariamente, o comissário Diori diz: “O árbitro acertou em não expulsar”. Assim, perlocucionariamente, confundiu e distorceu um fato.

A IVI é um fenômeno linguístico e de análise de linguagem. Porém, a IVI é concreta. Acreditem. O discurso da IVI (des)constrói coisas. Por isso tem razão Austin.

A última da IVI foi o fiasco da não vinda do jovem Iuri Alberto. O negócio foi abortado pelo Santos. Esse é o fato descrito locucionariamente.

Todavia, o fiasco da não vinda é perlocucionariamente narrado do seguinte modo: foi bom Iuri no ter vindo, porque criaria cizânia no grupo de jogadores. Bah! Como a IVI tratara antes disso? Diogo Pipoca Olivier dizia: o acertado e cálculo de risco do Inter com Iuri Alberto. Outros: Iuri é do Inter.

Agora, vejam a fala perlocucionária de Pipoca: foi bom, para o Inter, Iuri não ter vindo. Perdão mil vezes, porque não gosto de onomatopeias e quejandos, mas aqui vale muito potássio: kkkkkkkkkkkkkkkkk!

Tirei o chapéu para a IVI. Estudo essas coisas de “hermenêutica e linguagem” há décadas. Mas o “fenômeno IVI” é algo que dá tese doutoral.

Arrascaeta, em vez de vir para o Inter, foi para o Flamengo. A IVI transformou o fracasso em sucesso.

Outro modo de analisar o FIVI (fenômeno IVI) é pela novilíngua denunciada por Orwell no seu 1984. Guerra é paz, miséria é fartura.

Lembremos da anedota: aqui jazem dez valentes uruguaios mortos por um covarde brasileiro. Nas rádios ouviu-se, domingo: Inter com performance de líder. Mas não era semifinal? 

Post scriptum 1

Sobre o jogo Grêmio x Noia. O apito inimigo de Nobre Bins quase causou estrago. O réu não se ajuda. Nem o comissário Diori salva Bins.

Mas como o Jus Azul também é cultura e, vendo as atuações de Jean Pierre e Matheuzinho, lembrei-me de Macedônio Fernandez em carta ao seu amigo Jorge Luís Borges: “Desculpe-me por não ter ido ontem à noite. Eu estava indo, mas sou tão distraído que, no caminho, lembrei-me de que havia ficado em casa”.

Bingo! JP e Matheuzinho estavam indo para a Arena e, no caminho, lembraram que tinham ficado em casa!

Post scriptum 2

Antevejo para esta quarta-feira (5) um Gre-Nal em que, de novo, o time do Inter vai descer a lenha. No jogo passado quase quebraram a perda de Kanemann. Expulsão direta...que não houve.

Estou avisando. E, de novo, cuidemos com o apito amigo (deles).


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