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Porto Alegre (RS), terça-feira, 11 de agosto de 2020. Dia do Advogado.
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O bobo da corte e o STF



Visual Hunt - O Bobo da Corte, pintura de Frans Hals (1624) existente no Museu de Louvre, Paris.

Imagem da Matéria

Há pessoas que vêm ao mundo por alguma razão obscura. Vêm para chamar a atenção por aquilo que o ser humano tem de pior, o servilismo bravateiro. O condenado e apenado Roberto Jefferson ao longo das últimas semanas foi reproduzido nas redes sociais, em razão das suas inusitadas opiniões acerca do órgão julgador (STF) que o condenou e, ainda, alguns dos seus ministros.

É triste saber, com o perdão dos ratos, que uma ratazana tenha relevância na política brasileira. O ex-soldado raso da tropa do comandante Collor, volta à cena tentando atrair a atenção, cumprindo um papel que durante algumas semanas está vago.

Estou longe de pensar que o STF ou algum ministro que o compõem não mereça críticas. Há morosidade, excesso de exposição de alguns e de falta de zelo pela moralidade ética por outros, a começar pelo seu atual presidente. Mas daí partir para ataques criminosos, fantasiando ou até ridicularizando eventual opção sexual é lamentável. Um péssimo exemplo para todos.

Dentre tantos delitos que vertem das nojentas opiniões de Roberto Jefferson há crime de homofobia e racismo. É espantoso que a pena que cumpre ainda não tenha sido revertida ao cárcere, de onde jamais deveria ter saído.

Seguramente, a sua condição de corrupto sentenciado não permite uma análise crítica séria daquela corte. Com certeza as piores circunstâncias são as melhores para ele, pois fazem parte do lodaçal onde se locomove com habilidade e destreza.

Há questões sérias que merecem ser analisadas no Supremo: atividades paralelas de alguns ministros; mesadas polpudas de parentes advogados e o excesso de intervenções políticas.

Há casos de flagrante desvirtuamento das prerrogativas conferidas pela Constituição aos magistrados. Os ministros, guardadas as exceções, deveriam - como diria a minha avó - “se darem ao respeito”.

O condenado por corrupção renasceu politicamente por obra e graça da maldita necessidade de constituição da “base de sustentação parlamentar”. Sim, aquela mesma necessidade que o aproximou do mago José Dirceu, ambos envolvidos no nefasto “mensalão”.

O que foi cuspido como fruto da indignidade e reproduzido na web, deveria ensejar uma pronta reação. Por que o STF não age? Com a palavra o STF e os ministros diretamente atingidos.

Como dito, Roberto Jefferson só sabe se mover na lama. É preciso que se evidencie o seu papel de bobo da corte, colocando-lhe o chapéu de pontas e guizos sobre a cabeça.


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