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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 07 de agosto de 2020.
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Uma decisão em seis palavras



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Alhures, meados de agosto, o CTG Vigilantes da Tradição anunciou um baile típico para 20 de setembro. Objetivo: comemorar a tradição e incentivar a convivência dos munícipes. O patrão Euzébio teve a ideia de convidar o diretor do foro como autoridade de honra e - sem necessidade - pedir-lhe autorização para a realização da bailanta. No ponto, claro, um desnecessário puxa-saquismo à autoridade.

Euzébio pediu, a um advogado, ideias sobre como louvar a liturgia do cargo e caprichou na digitação: “Excelentíssimo e Douto Doutor Juiz de Direito Diretor do Foro de Nossa Comarca”. E por aí...

Vestindo a melhor pilcha, no dia seguinte Euzébio foi cedo, pessoalmente, entregar o ofício. Adentrou confiante no fórum, pedindo “alguns minutos para conversar com o Doutor Chef Rick, meritíssimo juiz”.

- Qual o assunto? - perguntou o servidor.

- Estamos solicitando autorização judicial para a realização de uma significativa bailanta.

Após ler o documento - conhecendo as oscilações de humor do juiz, e já prevendo que no despacho viria alguma pérola -

o escolado servidor desconversou:

- O Doutor Rick está fechado no gabinete, dando sentenças. Hoje não há audiências. Deixe o ofício. Vou pedir que ele analise. Volte no final da tarde, antes do fechamento do fórum.

À tardinha, esperançoso, o patrão retornou. O servidor, sem graça, devolveu-lhe o ofício. No alto do papel, grafado de próprio punho, estava o despacho perolar: “E eu com isso, vivente? Devolva-se!”

O constrangido mas educado servidor procurou amenizar:

- Desejo êxito no baile tradicionalista que, seguramente, não precisa de autorização judicial.

Desenxavido, Euzébio voltou ao CTG, compartilhando a decepção com os colegas de diretoria. O baile realizou-se um mês depois e foi sucesso. Semanas após, o juiz classificou-se em outra comarca, onde segue estressado e impaciente na prestação jurisdicional.

A rádio-corredor dali foi pontual ao informar que a atual leitura de preferida do magistrado é uma monografia intitulada “A Pertinência da Juizite”.

Mas não tem trânsito em julgado.


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