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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 07 de agosto de 2020.

Doações feitas por Emilio Odebrecht somam R$ 91,9 milhões e deixam Marcelo de fora



Foto Germano Luders/Portal Bing

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No ano passado, uma semana antes de a Odebrecht entrar em recuperação judicial - o que ocorreu em junho - Emílio Odebrecht doou antecipadamente R$ 91,9 milhões para três de seus quatro filhos, deixando de fora Marcelo Odebrecht. A parte que seria de Marcelo acabou nas mãos de um genro do patriarca. Pai e filho estão rompidos há mais de três anos.

A antecipação dos valores - mencionada por Marcelo em ações na justiça contra a empresa - é vista por ele próprio como uma artimanha do pai para não lhe dar independência financeira. Ex-presidente da Odebrecht, Marcelo diz a pessoas próximas que “o pai planeja mantê-lo dependente do dinheiro, para evitar avanços em sua delação premiada”.

As informações são da jornalista Bela Megale, em seu blog no portal O Globo.com 

Na petição, os advogados de Marcelo destacam que “Emílio, apenas sete dias antes do pedido de recuperação judicial, doou as quotas dessa sociedade holding (avaliadas em R$ 91,9 milhões, ou 55,8% de seu patrimônio declarado) para seus filhos (não para Marcelo, com quem está em pé de guerra) reservando a si o direito de usufruto”.

A sociedade em questão é a Boavista Participações e Investimentos Ltda., que passou a ter um capital social de R$ 91,9 milhões após receber o aporte de centenas de obras de arte de Emílio.

Em nota, Emílio afirmou que a Odebrecht tem uma “administração independente” e que ele não tem relação com ações judiciais movidas pela empresa contra seu filho.

O tamanho da Odebrecht e o envolvimento em corrupção

A Organização Odebrecht é um conglomerado empresarial brasileiro de capital fechado que atua em diversas partes do mundo nas áreas de construção e engenharia, química e petroquímica, energia, entre outros. A empresa foi fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht no ano de 1944, em Salvador (BA) e atualmente está presente em 21 países distribuídos por todo o Continente Americano, na África, na Europa e no Oriente Médio.

Em dezembro de 2016, o grupo Odebrecht (o que inclui a Braskem) admitiu o pagamento de propina em 12 países para centenas de políticos, e firmou com os Estados Unidos, Suíça e Brasil o maior acordo de leniência do mundo.

Em novembro de 2014, numa nova fase da Lava Jato, a Polícia Federal realizou buscas em grandes empreiteiras, como a Construtora Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e outras empreiteiras companhias. Além de corromper funcionários do alto escalão da Petrobras, foi descoberto indícios de cartel entre construtoras na agenda do executivo Márcio Faria, ligado à Construtora Odebrecht. Márcio Faria foi diretor da Construtora Norberto Odebrecht e, segundo os procuradores, era o representante do grupo no "clube vip" de empresas que apossaram de contratos bilionários da Petrobras entre 2004 e 2014.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal, eram oferecidas vantagens indevidas para que funcionários da estatal não só se omitissem na adoção de providências contra o funcionamento do "clube", como também para que estivessem à disposição sempre que fosse necessário para garantir que o interesse das cartelizadas fosse atingido.

No dia 8 de março de 2016, o então presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Operação Lava Jato. Na sentença de 234 páginas, o juiz Sérgio Moro abordou os argumentos do MPF, das defesas dos executivos e as informações do Ministério Público suíço sobre contas controladas pela Odebrecht no exterior.

O julgado concluiu que Marcelo Odebrecht foi o "mandante" dos crimes praticados pelo grupo empresarial. Foram sentenciados com a mesma pena e pelos mesmos crimes os executivos Márcio Faria e Rogério Araújo, ex-diretores da Odebrecht. Também foram condenados os executivos César Ramos Rocha e Alexandrino Alencar, ligados à Odebrecht.

Ao final de 2016, o grupo Odebrecht, que inclui a Braskem, assumiu diante das autoridades brasileiras e internacionais assumiu corrupção e pagamento de propinas a políticos de doze países, incluindo o Brasil.

Em 17 de abril de 2017, um juiz estadunidense sentenciou a Odebrecht a pagar 2,6 bilhões de dólares em multas em caso criminal de corrupção, assinando acordo entre a empresa e autoridades brasileiras, norte-americanas e suíças. O juiz distrital Raymond Dearie disse em uma audiência na corte federal do Brooklyn que cerca de 93 milhões de dólares serão destinados aos Estados Unidos, 2,39 bilhões de dólares ao Brasil e 116 milhões de dólares à Suíça.


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