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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 07 de agosto de 2020.
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O mundo dos Jetsons



Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Em uma loja de artigos para escritórios estava exposta, na vitrine, uma máquina de escrever manual, zerinho em folha. Um fato raro para o final dos anos noventa. Comprei e levei-a para casa e a minha filha, surpresa com a malinha - que eu carregava - perguntou: “Pai o que é esse troço?”

O impacto com o novo velho foi ainda maior quando abri lentamente o estojo. Exigiu: “Me explica o que é”.

Enquanto eu dava as explicações arqueológicas, ela não parava de mexer no artefato fixada na fita com as cores preto e vermelho e com a campainha acionada pelo curso do rolo.

Refleti acerca da velocidade das transformações provocadas pela revolução tecnológica e com o largo tempo que antecedeu ao surgimento da IBM com corretor.

A evolução dos computadores é vertiginosa e não sabemos o que será possível em mais dez anos.

Vou perguntar para a Alexia, aquela mulher cibernética que o meu neto comanda: Alexia liga a tevê, Alexia liga o ar condicionado...

Também lembrei das tardes à frente do televisor Telefunken, aguardando a trilha sonora que anunciava o desenho animado dos Jetsons. É intrigante como alguns conseguem prever o improvável futuro muitos anos antes. A Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne, os Jetsons de Willian Hanna e Joseph Barbera, Batman de Bill Finger e Bob Kane e tantos outros.

Parece que a vida imita a ficção.

Na minha humana memória, as lembranças da introdução da informática no Judiciário. Os primeiros passos para o sepultamento de toneladas de papel, do papel carbono, dos corretivos e dos arquivos de aço.

No início da década de noventa, na sala de audiências do juiz Ricardo Fraga, apareceu um aparelho estranho muito semelhante a um toca-discos portátil. Logo espalhou-se a notícia de que se tratava de um computador.

O entra e sai na sala de audiências foi contínuo, era preciso ver para crer. Quando entrei estava em um dos lados da mesa o advogado Mário Chaves e, no comando, o Ricardo Fraga e, à exceção do “toca-discos” e do barulho da impressora, tudo parecia normal.

Quando o Mário requereu que constasse em ata a possibilidade de indicar um perito assistente, de pronto o juiz indeferiu, aparentemente insensível ao direito. Sempre aguerrido, o Mário com ênfase revelava a sua irresignação, parecendo-lhe absurda a negativa e a orientação para que formulasse o pedido por petição.

Fraga quase sussurrando esclareceu: “É que não dá, doutor Mário. Na memória dele, apontando para a máquina, estão registradas quase todas as hipóteses de uma audiência e infelizmente essa não coube”.

Hoje temos o PJe, as sustentações tele presenciais, as sessões à distância e a certeza de que para mudar a vida é necessário vontade, coragem e persistência.


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