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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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O preço de uma brincadeira aparentemente inocente



Há um ano eu alertava, aqui, sobre a não existência de “almoços grátis”, parafraseando a ideia de que um aplicativo, ao realizar algo sem cobrar nada, cobra usando, coletando e fazendo sabe-se-lá o que com os detalhes dos incautos que a eles fornecem seus dados pessoais.

 

O mesmo aplicativo (FACEAPP) que em 2019 encantou pessoas a envelhecer seus rostos, está de volta querendo mostrar como você seria, se tivesse um gênero diferente.

 

Sim, é o mesmo aplicativo que gerou debates no mundo todo por coletar dados que vão muito além de seu nome, foto e dados de perfil da rede social. Ele coletava até as páginas que você visitou no seu computador ou celular, seu arquivo de LOG (que contém tudo que você fez no seu dispositivo, inclusive os registros do que você apagou) entre inúmeras outras permissões surreais, para não dizer teratológicas que o aplicativo exige para fazer a dita “brincadeira”.

 

Você confia num aplicativo que apenas mudou a brincadeira (de envelhecer para mudança de gênero) em menos de um ano?

 

Eu não! E não apenas por questões de segurança ou ser chato (sim, sou chato em relação a dados e segurança na internet), mas porque o mundo todo tem debatido a questão do reconhecimento facial como ferramenta de segurança ou de controle social.

 

Como assim?

 

A IBM já parou de usar, Microsoft e Amazon vêm na mesma linha de raciocínio de entender o monstro em que pode se transformar o reconhecimento facial com a coleta de dados e outros dados. Podemos estar dando um imenso banco de dados (com a sua autorização e aprovação de veracidade!) para uma empresa que pode vender estes detalhes pro governo, para outras empresas., etc.

 

Pense no que pode ser feito com seu rosto para aprimorar localização do mesmo por câmeras de vigilância, radares de veículos, entre outros. Você pode ser rastreado o tempo todo, em qualquer canto da cidade. Inclusive pode ser usado para localizar devedores, fazer prova de locais onde a pessoa esteve, estabelecer linha de tempo para fatos processuais ou não, enfim, um “Big Brother” para quem não quis se inscrever num programa destes.

 

O que você pensa disto tudo? Ao meu sentir, sua privacidade ficará totalmente violada por um aplicativo que se diz gratuito, para uma brincadeira tida como inocente.

 

É caro demais este aplicativo! O preço dele equivale à minha liberdade.

 

#PraPensar

 

Um fraterno abraço.

Coloco o meu endereço de e-mail à disposição dos leitores. Comentários, sugestões etc. serão bem-vindos: gustavo@gustavorocha.com

 

Em tempo:

 

Relembre a coluna ON OFF de julho de 2019. Clique aqui


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