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Porto Alegre (RS), terça-feira, 11 de agosto de 2020. Dia do Advogado.
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Barcelona x Mazembe



No último domingo (7), revivemos em parte a conquista histórica de 2006. Em tempos sem futebol os veículos de comunicação têm reproduzido grandes momentos dos clubes. A conquista de um título mundial em competição oficial é um marco indelével para o RS e o Brasil, ainda mais com a vitória do Internacional sobre o poderoso Barcelona com um gol do Gabiru.

Soube que o presidente colorado da época, respondendo a um jornalista nos dias que antecederam a rememoração, atribuiu a derrota ante o Mazembe, quando da segunda participação colorada em mundial Fifa, à “falta de foco”.

Mas o que significa ausência de foco? Eu prefiro considerar que houve excesso de confiança ou, ausência de temor: o sentimento era de que o raio cairia no mesmo lugar e o Mazembe não seria obstáculo.

Se comparamos 2006 a 2010, encontraremos a diferença. Passamos do receio, do respeito e até mesmo do medo para um estado de êxtase coletivo antecipado. Cometemos vários erros que, na certeza do sucesso, fizeram que olhássemos para o último jogo, desprezando a etapa intermediária, o Mazembe.

Não jogamos com a obstinação revelada na Libertadores. Nosso time entrou em campo imaginando, inconscientemente, que estava apenas cumprindo um rito de passagem. Foi um erro coletivo, uma espécie de vírus que contaminou a todos, mas como resultado de uma única causa.

A diretoria do clube estava profundamente dividida como reflexo da disputa eleitoral resultado de um racha na unidade até então predominante. Fomos para aquele Mundial com quatro presidentes: Píffero em final de mandato; Luigi vencedor das eleições; Affatato derrotado e F. Carvalho o presidente que, simplificando, nunca deixou o papel.

Ainda estavam vivas as feridas da disputa, principalmente em razão dos dois projetos para o Beira-Rio. Importante lembrar que no terceiro dia da delegação fora de Porto Alegre, foi dado início à demolição das arquibancadas do estádio. Os dois grupos praticamente não se falavam em Abu Dhabi.

A disputa eleitoral gerou a antecipação midiática da conquista dada como certa. O “general” Bolívar, promovido antes da hora, prometeu - em um ato no Beira-Rio diante dos torcedores - que retornaria com a taça na mão. O Mazembe foi tratado como detalhe.

As circunstâncias pré e pós eleição, adubaram graves equívocos: deslocamento desastrado da delegação; proximidade excessiva dos jogadores com os torcedores e com a imprensa, nos momentos anteriores ao jogo. Em síntese, os atletas não ficaram isolados e concentrados na responsabilidade da competição.

Alguns jogadores, antes disso, já haviam exigido a substituição do treinador Fossati e já estavam interferindo na escolha do próximo vice de futebol, pois F. Carvalho sairia após o mundial.

O inacreditável resultado da partida foi o reflexo de um clube destroçado em suas entranhas, com total inversão de etapas.

Não se diga que sou comentarista de obra pronta, mas se pretendemos lançar mão da história como experiência para não repetir os erros, apenas poderemos fazê-lo analisando fatos.


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