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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.

O magistrado gaúcho que cumpria a verdadeira liturgia do cargo



Arte EV sobre imagem Camera Press

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Por Sérgio Souza de Araújo, aposentado (ex -escrivão da 7ª Vara Cível de Porto Alegre)
sergiosouzaaraujo@gmail.com

Efetivamente, vivemos dias tormentosos e isso não se dá apenas na política; pelo contrário, as dissensões ocorrem de modo amiúde em todos os setores da sociedade. Não sei se por influência do vírus pandêmico que assola o nosso Brasil, ou por interesses outros.

O fato é que os Poderes da República - que consoante a Constituição Federal devem funcionar em perfeita harmonia - assim, não se comportam.

Declarações e decisões, de parte a parte, entornam o caldo a todo momento e os conflitos se instalam. Há que se ter bom senso e para isso os agentes envolvidos devem baixar o tom beligerante e calçar as sandálias da humildade.

E meditando sobre os acontecimentos, lembrei-me de um antigo e grande magistrado com quem tive o privilégio de trabalhar na 7ª Vara Cível de Porto Alegre (RS) e só lamento que fora por pouco tempo, no entanto o suficiente para admirá-lo e respeitá-lo como profissional da magistratura e como fabuloso ser humano. Homem simples e trabalhador.

Refiro-me ao Dr. Osvaldo Peruffo, juiz de direito da melhor cepa. Para ele não tinha dia ruim e nem demanda impossível de julgar, independentemente do nível de complexidade da causa.

Processos conclusos para sentença dificilmente ficavam em seu poder por mais de trinta dias. Suas sentenças, de tão bem fundamentadas, geralmente restavam confirmadas pelo segundo grau - e com louvor.

O Dr. Peruffo, diferentemente de julgadores com pendores midiáticos, desconhecia a palavra vaidade. Atendia a todos de forma respeitosa, fossem eles colegas, advogados, serventuários e demais operadores do direito, e sem qualquer prévio agendamento.

Repelia com sabedoria toda e qualquer eventual rusga processual. Muitas vezes despachava os processos no próprio cartório. Tinha aversão à inútil burocracia. Não foram raras as vezes em que, na ausência de funcionário para secretariá-lo na sala de audiências e para evitar a suspensão das solenidades, inquiria as partes e testemunhas e ele próprio datilografava os depoimentos (sim, à época as máquinas de datilografia é que predominavam).

O Dr. Peruffo, rigorosamente, cumpria com extrema maestria a liturgia do cargo. E por tudo isso, é que não tenho receio de afirmar, que ele, com sua reconhecida probidade, idoneidade e notório saber jurídico, se o quisesse, teria sido um ótimo ministro de instância superior.


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