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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 07 de agosto de 2020.

Três dias em aeroportos e dentro de cinco aeronaves para retornar ao Rio Grande



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Não há voos diretos entre Perth e Porto Alegre, mas uma linha reta entre as duas cidades tem 12.994 km. O percurso para que o casal gaúcho pudesse voltar da Austrália a Porto Alegre teve 30.949 km.

Durante a semana, o Espaço Vital conversou, via e-mail, com Waldir Claudio Weiand (64) e Cleonice Weiand (61), ambos aposentados - ele servidor público estadual jubilado; ela, ex-professora de Educação Física. O casal se viu, de repente, retido do outro lado do mundo, em Perth, “a cidade grande mais isolada do mundo”, no oeste da Austrália.

A pandemia cancelou voos que levou empresas ao pânico financeiro e passageiros a preocupações pessoais. A dificuldade fez com que eles se tornassem personagens de um caso judicial repercutido. Afeito às lides forenses - como ex-distribuidor e contador da comarca de Osório (RS) - Waldir enfrentou o jogo-de-empurra da Latam, utilizando a confiança no Judiciário.

No desfecho, ao invés de um longo - mas tranquilo voo de retorno que, em hipotética linha reta teria 12.994 kms. de Perth a Porto Alegre - eles tiveram um périplo de quase três dias entre aeroportos, hotel, conexões e embarques e desembarques em cinco aeronaves diferentes.

De volta à casa-firme, em Osório (RS), eles estão sorridentes: “Os pequenos percalços não atrapalharão novas viagens”.(Proc. nº 5000847-74.2020.8.21.0059).

“Sessenta e sete horas somando voos e conexões”

ESPAÇO VITAL - O que tinham ido fazer em Perth, tão distante cidade?

Casal Weiand - “Fomos com vistos de turistas, visitar uma filha e neto que moram em Perth. É longe mesmo, a cidade fica no oeste australiano, distante aproximadamente 4.500 km do centro financeiro do país, onde estão as cidades de Sydney, Melbourne e a capital Camberra.

EV - Quando se deram conta de que, em função da pandemia, ficaria complicado retornar ao Brasil?

Casal Weiand - “Fomos para Perth no dia 21 de fevereiro, com passagens compradas e marcadas para retornar em 6 de abril. Alguns dias antes, soubemos que a Latam fizera o primeiro cancelamento dos vôos de retorno. Já ficamos apreensivos e quando houve o segundo cancelamento e sem oferta de nova data, tentamos contato via e-mail, telefone e messenger - mas nenhuma opção para retorno nos foi disponibilizada.

Durante o período da longa espera até o embarque de volta, o que fizeram na Austrália?

“Como estávamos abrigados na casa da filha mantivemos a rotina. Alguns poucos passeios, pois o governo australiano restringiu qualquer tipo de aglomeração, mas não o direito de ir e vir das pessoas.

Como enfrentaram os gastos imprevisíveis de uma retenção de mais de seis semanas?

“Tínhamos levado dinheiro, em espécie, para a nossa regular permanência de 45 dias. Depois, pelos sistemas oficiais disponíveis, transferimos numerário para a conta da filha, que nos repassava. E também pagamos muitos gastos com cartão crédito.

Como se comportaram as empresas aéreas nas reiteradas negativas até cumprirem, afinal, a ordem judicial?

“A Latam, após o segundo cancelamento do voo para nosso retorno - quando nos atendia ao telefone... - mandava aguardar. Falavam-nos também para entrar em contato com o consulado do Brasil em Camberra, que por sua vez informava que o problema era da Latam, e que não haveria mais repatriação da Austrália. Houve, entrementes, um voo no dia 21 de abril, mas a prioridade foi repatriar brasileiros com problemas em países onde a Covid-19 estava mais perigosa: Itália, Espanha, Estados Unidos e Portugal.

Quando embarcaram, quais os voos utilizados, qual o trajeto? Quando chegaram ao Brasil?

“Foi um longo percurso. Embarcamos no dia 21 de maio, pela Qantas, saindo de Perth para Sydnei. Chegando lá, fomos informados que o vôo dali para Doha tinha sido cancelado. Fomos instalados em hotel, por conta da Qatar Airways, com nova marcação para o dia seguinte. Saímos de Sydnei no dia 22, voando pela Qatar, até Doha. Aí fizemos conexão rápida para Frankfurt, com a mesma empresa. Na Alemanha houve demorada conexão de oito horas. Embarcamos em avião da Lufthansa até Guarulhos, onde desembarcamos no amanhecer do dia 23. Então nova conexão para Porto Alegre, onde chegamos às 9h da manhã pela Latam.

Praticamente três dias, dentro de aeronaves, cruzando parte do mundo...

“Foi um total de 67 horas, somando vôos e conexões. Quatrocentos brasileiros estavam em situação semelhante à nossa. O final feliz do retorno foi comemorado, é claro”.

Pretendem fazer novos longos voos internacionais?

“Com certeza, entendemos que esses pequenos percalços não atrapalham novas viagens”.

Para arrematar, algum elogio e/ou alguma crítica?

“O nosso advogado Eduardo Pompermaier Silveira foi excepcional na sua atuação. E o juiz Emerson da Silveira, da comarca de Osório, apesar de não acatar o pedido inicial de voos mais rápidos - que visavam evitar que não transitássemos em muitos aeroportos para evitar os riscos da Covid-19 - atuou eficientemente. Deu-nos a prestação jurisdicional de que precisávamos. É sempre muito bom confiar em profissionais brasileiros.


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