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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 31 de julho de 2020.
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Internacional x Estudiantes - 2010



Arte EV sobre fotos Camera Press (E) e Record PT (D)

Imagem da Matéria

Recebi um vídeo com uma entrevista recente do Jorge Fossati, treinador do Internacional na campanha do bi da Libertadores de 2010. Um grande sujeito!

Repetiu a cogitação que já havia me confidenciado: que a sua inesperada demissão, em plena campanha vitoriosa, poderia ter sido fruto de uma espécie de conspiração por parte dos treinadores brasileiros. Reserva de mercado.

Em meio as ponderações e recordações, vem à baila a partida contra o Estudiantes (13.05.2010), o que me iluminou a memória permitindo recordar com detalhes as circunstâncias daquela disputa.

Havíamos vencido os argentinos no Beira-Rio, por 1 X 0 e passar novamente pelo Estudiantes nos levaria às quartas de finais.

Chegamos em Buenos Aires acompanhados da apreensão e do nervosismo, próprios a um confronto difícil. Eu tinha me criado ouvindo que o pior dos times argentinos representa sempre um enorme perigo, especialmente quando jogando em casa. É incrível, mas para o dirigente, ao menos os sérios, tanto faz os atrativos da cidade do jogo.

Cercado pela ansiedade, não tive a mínima vontade de sair do hotel. Confinado no quarto, indo no máximo até o saguão, a impressão era de que o tempo se arrastava até o momento do jogo.

Buenos Aires continuava sendo a mesma. Tenho uma memória olfativa que associa cheiros a locais, na oportunidade nem isso funcionou, embora a capital portenha possua para mim um cheiro característico. Naquela ocasião, diante do nervosismo, nada despertava o meu desejo, nem mesmo de caminhar pelas ruas da encantadora Recoleta.

O jogo foi em Quilmes, na Grande Buenos Aires, uma cidade de indústrias e de trabalhadores. O ônibus que conduziu a delegação estacionou ao lado do acesso ao local para nós reservado. Providencialmente cabines separadas do setor de cadeiras, separado por uma abertura guarnecida por um vidro.

Foi um jogo difícil e repleto de incidentes. Houve briga, soco no goleiro Lauro que estava no banco, discussão e o placar alargado, com dois gols em favor do adversário. Os torcedores estavam enlouquecidos. O Inter daria adeus à Libertadores, após uma caminhada de muita luta.

É difícil conter a emoção perante a enorme frustração que me dominava. Saí da cabine, esta cercada de policiais, passando por eles que, àquela altura, riam. Empurrei uma roleta indo sozinho para o interior do ônibus.

Faltavam quatro minutos para o fim da partida. O estádio estava tomado pela fumaça dos sinalizadores que comemoravam a eliminação do Internacional. Era uma noite sem vento e a bruma produzida permaneceu no gramado.

Inesperadamente uma gritaria dos torcedores. Imaginei que seria o terceiro gol do Estudiantes. Estico o olhar e vejo um colorado bradando, pulando e chorando.

Saio do ônibus, passo correndo pelos policiais gritando “elogios” e, outra vez atropelo a pobre catraca. Ao ingressar na cabine, abraços, choro e gritaria.

Em segundos o pessoal que estava nas cadeiras, olha para onde estávamos, avança como uma onda e passam a soquear o vidro. Ele suportou bravamente a situação. Se estourasse seria trágico para todos. Conto isso pois acredito que muito daquela campanha, repleta de lances de superação, deveu-se a tenacidade e combatividade do professor Fossati.

O Giuliano, o herói do jogo, aquele que não perdoou na fumaça, marcou um gol histórico.

Obrigado professor Fossati! Obrigado Giuliano, predestinado que entrou no time ao final do jogo para definir o avanço do Inter naquela Libertadores.

Dez anos de um grande passo.


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