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Porto Alegre (RS), terça-feira, 11 de agosto de 2020. Dia do Advogado.
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Píffero X Baldasso – a sentença



Ciências Criminais

Imagem da Matéria

À mulher de Cesar não basta ser honesta, tem de parecer honesta.

O provérbio remonta ao ano de 62 a.C. Surge após uma orgia destinada exclusivamente às mulheres e que foi a causa determinante do divórcio de Júlio César e sua mulher Pompeia Sula.

Em seu depoimento perante o tribunal, afirmou ele que não tinha nenhum motivo concreto para tanto, mas que “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita”, frase que ensejou o conhecido provérbio.

Ela sintetiza o dever de alguns em razão do cargo ocupado, de não ser apenas honesto, mas fundamentalmente de também parecer honesto. Na atualidade, em reducionismo esclarecedor define a importância da transparência. Ou seja, a adoção de mecanismos que publicizam os atos praticados, eliminando os espaços para dúvidas e intepretações.

Essa orientação parece óbvia à gestão de um orçamento anual de aproximadamente R$ 300 milhões. Os clubes de futebol não são entes públicos, são associações privadas, notadamente de interesse público. Atente-se para a imensa renúncia fiscal que é praticada em favor do futebol.

O ocorrido na chamada gestão Píffero ainda não foi quantificado em termos de prejuízos financeiros correlatos, diante do desgaste da imagem de um dos cubes mais importantes do Brasil.

Uma imensa vergonha que não pode ser mitigada pela conquista dos grandiosos títulos. Em resumo, participar de diretorias vitoriosas não abrem trincheiras para, no mínimo, descuidos administrativos importantes.

Algumas pessoas não têm o direito à ação, à omissão, à negligência ou à imprudência. A isso se chama responsabilidade.

Vitório Píffero ajuizou uma ação perante a 6ª Vara Cível de Caxias do Sul (RS), buscando indenização pecuniária reparatória em face do jornalista Fabiano Baldasso. Afirma o ex-dirigente ter sido caluniado e injuriado pelo indigitado que lhe imputou a condição de ladrão perante as redes sociais. O pedido de reparação moral pelo gravame foi de R$ 30 mil. (Proc. nº 1.18.0001605-0).

Fui responsável pela criação e direção dos veículos de comunicação do Internacional, o que ensejou a contratação de aproximadamente oito jornalistas. Ali havia uma premissa: respeitar a todos, diretoria, conselheiros, associados, torcedores e atletas, sem entrar em “divididas” políticas.

Não considero adequado usar o dinheiro do clube para a promoção dessa ou daquela corrente, por mais razão que a opinião possa ter. Ela tem um defeito genético: é patrocinada. É claro que isto não significou abdicar de positivamente enaltecer as façanhas coloradas.

Digo isso, porque em que pese o meu respeito pelo jornalista, não comunguei com a sua contratação como “jornalista de partido”. O seu papel foi o de incondicionalmente enaltecer a diretoria inclusive acima do razoável.

A defesa do Baldasso apontou a existência de um relatório de auditoria externa que anunciava irregularidades, as providências investigatórias do Conselho Deliberativo e, posteriormente, a investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual.

O pedido indenizatório cível de Piffero foi julgado improcedente e, embora ainda passível de recurso, aponta para um senso comum no Judiciário acerca do episódio. O entendimento tem sido no sentido da razoabilidade das reações desencadeadas pela verdadeira tragédia que sacudiu o clube.

Quase sempre o cargo revela o homem. Ganhar títulos é obrigação de quem se propõe a ser dirigente. Por mais virtuosa que seja a caminhada há que não se contaminar, adotando arrogância e a prepotência como método de governança. Geralmente são elas que adubam os desvios da conduta.

Outras sentenças virão. Aguardemos.


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