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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 05 de junho de 2020.
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O bar que não é bar



Edição EV sobre foto ArchiExpo

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Bar Association é a denominação da Ordem dos Advogados nos Estados Unidos. Mas, o que o bar teria a ver com a entidade que congrega os profissionais do Direito? Por acaso seria um incentivo à bebida, ao alcoolismo? Ou uma insinuação de que a frequência aos bares é marca dos advogados?

Calma! Não é nada disso, mas bem que poderia ser... Consta que a palavra bar surgiu na Inglaterra nos idos de 1590 para designar a barra existente no balcão dos estabelecimentos especializados em oferecer bebidas alcoólicas. A função dessa barra era impedir que os clientes se debruçassem sobre o balcão e atrapalhassem a ação do barman.

Com o tempo, a polissemia da palavra proliferou, tudo porque o bar é também local que se presta para confraternização, reunião, debate, congregação, para colocar as ideias em ordem, enfim. Resultado: a palavra passou a ser usada para os mais variados significados e nas mais distintas áreas do conhecimento e da ação do homem, em especial na língua inglesa. Na linguagem jurídica, por exemplo, bar pode ser usado para designar foro, corte de justiça, tribunal, e, claro, a própria profissão de advogado, advindo daí a designação de Bar Association para a Ordem dos Advogados americana.
Portanto, os advogados frequentadores de bares não precisam se constranger, mas, claro, entender que a Bar Association, apesar da origem da palavra, tem as mesmas nobres funções da nossa Ordem dos Advogados. Em síntese, todos ao Bar.

Questão de concordância

O Dr. José Augusto de Mello Nogueira, de São Paulo, pede para esclarecer uma recorrente questão de concordância verbal. Disse ter lido em artigo jurídico a seguinte frase: “Os efeitos patrimoniais da união estável são questão altamente tormentosa” e quer saber se a concordância está correta, ou se poderia ser: “Os efeitos patrimoniais da união estável é questão altamente tormentosa”.

O princípio da concordância é que o verbo sempre concorda com seu sujeito; afinal, é dele que ele informa algo. Então, vamos achar o sujeito: O que é questão altamente tormentosa? Resposta: Os efeitos patrimoniais da união estável. O núcleo desse sujeito é efeitos, substantivo plural, que, portanto, faz o verbo também assumir a forma plural: são. Para que o verbo fosse conjugado no singular, a frase teria que sofrer mudança: “Questão altamente tormentosa é a dos efeitos patrimoniais da união estável”. Agora o sujeito é “questão altamente tormentosa”, tendo como núcleo o substantivo questão. O núcleo do sujeito também seria questão, e o verbo ficaria no singular, se a frase fosse redigida assim: “A questão dos efeitos patrimoniais da união estável é altamente tormentosa”.

Observe o leitor como a língua é flexível, oferecendo solução para todos os gostos.


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