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Edição de terça-feira , 18 de fevereiro de 2020.
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O decreto da felicidade



Está terminando o ano ou. se preferirmos, o lapso temporal convencionado para a contagem do tempo. É uma definição pragmática e que não seduz, pois deixa de lado aquilo que há de essencial a todos nós: o milagre da esperança. Ela nos acompanha sempre.

Temos esperança em recomeçar, em vencer as dificuldades e encontrar o estado de felicidade. Por mais dura que seja a realidade, a esperança incide como combustível em nossas vidas. Ela nos embala o recomeço. Ela se apresenta aos doentes no mesmo momento do pior diagnóstico, aos fracassados juntamente com as manhãs, aos presidiários na contagem da sucessão dos dias que apontam para a liberdade, aos cidadãos nas eleições, etc.

Enfim, a esperança embala a vida e sem ela não seria possível viver.

Um amigo que é psiquiatra me disse que uma das maiores dádivas do ser humano é a memória ou melhor, mais exatamente, a falta dela. Imaginemos que os fatos, as considerações e as emoções fossem se acumulando em nossa mente ilimitadamente e desgraçadamente detalhada. Certamente a esperança seria fulminada, torpedeada.

Tudo que acumulamos na memória vai se dissipando. De tal forma a realidade vivida se desconstitui que o saldo é unicamente o sentimento do que foi bom ou ruim.

Essa modesta reflexão tem muito a ver com a essência do futebol e a nossa paixão pelo nosso clube.

Temporada após temporada, tal qual o novo ano em nossas vidas, as esperanças se renovam muitas vezes desafiando a cruel objetividade. Fica apenas o saldo do que é bom ou ruim.

No nosso caso, há um consolo que se impõe em razão da esperança, em nome do poderia ser pior. Diante de todas as dificuldades classificamos para a pré Libertadores.

Renovamos a esperança de que o novo treinador acerte o time, de que surja um craque vindo da base, de que os melhores permaneçam no plantel e de que os ruins melhorem, de que o caixa engorde, de que alguém tal qual o Papai Noel da nossa infância aporte milhões em favor do nosso Internacional, etc.

Aos vitoriosos, a esperança de repetição dos feitos; aos derrotados a esperança de que tudo passe rápido e que possam retornar à elite do futebol brasileiro; e aos intermediários a certeza de melhorar a posição para cima.

O futebol imita a vida e talvez essa seja a razão do seu sucesso de público. Acreditamos no Internacional, acreditamos no nosso destino de grandeza e, com esperança e lembrança apenas dos momentos de maior glória, na conquista de títulos.

Tudo é possível quando a alma não é pequena.


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