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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.

O goleador desprezando um governador: o drible do ano!



Quadro parado a partir de imagens do cinegrafista Edu Bernardes (Rede Globo)

Imagem da Matéria

Após a vítória do Flamengo por 2 a 1 sobre o River Plate, na final da Copa dos Libertadores, o governador Wilson Witzel se ajoelhou diante do atacante Gabigol no gramado do Estádio Monumental de Lima. O governador fez menção de que iria lustrar a chuteira do atacante.

Nas imagens captadas pelo cinegrafista Edu Bernardes, da Rede Globo, o político se aproxima para cumprimentar o jogador. O autor dos dois gols aperta a mão de Witzel e – parecendo só então dar-se conta de que se tratava de um político - olha para baixo e sai caminhando para o lado esquerdo, em sinal de aparente desprezo.

Na sequência, Gabigol segue se afastando e vai em direção a outros companheiros de time. Witzel começa a sair de cena, mas ainda é flagrado esfregando um dedo sobre o nariz. Na avaliação do gesto, comentários postados nas redes sociais evocaram o livro “Psicologia da Mentira e Linguagem Corporal”, de autoria de Paulo Sérgio de Camargo. Conforme a obra, o gesto de “tocar ou esfregar ligeiramente o nariz tem o significado de reação defensiva ante uma rejeição ou constrangimento sofridos”.

Em um vídeo postado no mesmo sábado em sua conta oficial no Twitter, Witzel aparece comemorando um dos gols. E escreveu: "Dia histórico! Ver meu time virar o jogo aos 40 do segundo tempo foi uma emoção sem igual. Parabéns, ao Flamengo, pela segunda faixa de campeão da Copa Libertadores da América. Que venha o mundial!".

Com camisa do Flamengo de número 20 e medalha dourada (comemorativa), Witzel também embarcou no ônibus da delegação rubro-negra, que saiu do Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, por volta do meio-dia de domingo, rumo à Candelária, no Centro do Rio. O número 20 na camisa é o correspondente, no Tribunal Superior Eleitoral, ao partido Partido Social Cristão, pelo qual Witzel foi eleito em 2018. Ele seguiu em cima do trio com a delegação rubro-negra pela Avenida Presidente Vargas.

Em setembro do ano passado, durante a campanha, Witzel afirmou ao jornal "Lance!" ser torcedor do Corinthians desde criancinha. Depois de vencer a eleição, o governador declarou diversas vezes que torce para o Flamengo.

Jeitinho para aumentar os penduricalhos

Witzel já tem um outro precedente de boquirrotice. Em plena campanha para governador do Rio em 2018, ele foi exibido numa atividade anterior da magistratura – antes de desligar-se por iniciativa própria da carreira. Numa apresentação para colegas, ele explica o que fazia para garantir o recebimento de dinheiro extra por mês.

Ele ensinou uma “engenharia” - em suas palavras - para o recebimento da gratificação de acúmulo, benefício dado a juízes por ter mais funções ou receber acervo processual de outro magistrado.

Em tal palestra, Witzel diz que recebe a gratificação de acúmulo, e estipula seu valor em R$ 4 mil. De acordo com a Lei nº 13.093, de janeiro de 2015, que institui o benefício para juízes federais de primeiro e segundo graus, o extra é pago a magistrados por “acumulação de juízo e acumulação de acervo processual”, e equivale a um terço do salário do juiz. Há a ressalva, na lei, de que a gratificação não pode fazer com que o salário ultrapasse o teto de R$ 33,7 mil, valor do subsídio – à época - de um ministro do STF.

Na mesma palestra, Witzel também menciona outros benefícios recebidos por juízes, como auxílio-moradia e auxílio-alimentação. Sobre a gratificação de acúmulo, o então juiz federal diz que “é muito mais difícil de receber” na Justiça do Trabalho, mas afirma que “praticamente todos os juízes federais recebem”.

Numa passagem daquele vídeo, Witzel menciona textualmente: “A gratificação de acúmulo é de R$ 4 mil. Eu recebo, expulsei o juiz substituto da minha Vara, disse: “Ô, negão, ou você vai viajar lá para ficar um ano fora, ou vou te expulsar da Vara” (risos). Brincadeira, adoro meu juiz substituto. Mas, se ele ficar, eu não recebo. Aí a gente faz uma engenharia... Todo mês, 15 dias por mês, o juiz substituto sai da Vara” - afirma Witzel no vídeo.

Veja no YouTube as imagens transmitidas em outubro de 2018 num telejornal da Tv Globo Rio.

 

 


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