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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 3 de julho de 2020.

O desafio de ser professor



Imagens: Depositphotos / Google - Montagem: Gerson Kauer

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Por Daniel Ustárroz, professor da Escola de Direito PUCRS
Ustarroz@terra.com.br

Nesta semana, comemorou-se no Brasil o “Dia do Professor”. Para homenageá-los, proponho uma breve reflexão acerca de um desafio que os professores diuturnamente assumem, ao praticar uma atividade corriqueira: preparar uma aula.

Vamos imaginar uma situação típica. Suponha-se que o objetivo dessa aula seja sensibilizar os alunos para o elevado número de acidentes de trânsito e as suas nocivas consequências para a sociedade. A partir desse objetivo comum, se abrem muitas alternativas. Cada professor ministrará uma aula inédita.

A título de exemplo, para mostrar a riqueza desse momento, vou imaginar três modelos possíveis, adotados pelos personagens Ederson, Manoel e Plínio.

Plínio organizou a sua agenda e conseguiu encontrar 15 horas para a sua preparação. Ao ler textos de especialistas, decidiu ampliar o estudo, investigando causas para a violência no trânsito e prováveis soluções. Organizou a sua exposição, selecionando ainda um texto para ser discutido em sala de aula. Para envolver a turma, dividirá os alunos em grupos e pedirá que algum dos membros compartilhe com os demais o seu ponto de vista.

Manoel decidiu apresentar gráficos, com dados relevantes acerca do custo gerado para o sistema de saúde. Identificou dois problemas particulares, especialmente alarmantes: o alto número de vítimas motociclistas e a má conservação das rodovias. Manoel considera que uma abordagem genérica correria o risco de ser insuficiente para a dimensão do problema. Preferiu, assim, enfocar as consequências econômicas.

Éderson acredita que é essencial sensibilizar o aluno para despertar o desejo de estudar. Optou por iniciar a aula com a exposição de um vídeo impactante, no qual uma família abruptamente passa da alegria para o imenso luto, diante de um acidente fatal. Elaborou também um “quiz”, utilizando-se de um aplicativo, pois acredita que a turma admira o uso da tecnologia em sala de aula. Na medida em que forem projetados os resultados, desenvolverá o conteúdo.

As três ideias podem ser tidas como excelentes. Teremos provavelmente três ricas experiências. Eu gostaria de ter assistido todas essas atuações. Mas a realidade nos limita, e a maioria dos alunos terá apenas a oportunidade de assistir uma delas. Portanto, fica a questão: qual dessas estratégias fará mais sentido? Alguma delas pode ser tida como a melhor?

A resposta demandará a análise de vários fatores.

Por exemplo: a decisão de Plínio pode se chocar com o exíguo período de 50 minutos disponível, o qual será insuficiente para a assimilação de informações tão profundas.

De seu turno, caso a turma de Manoel não tenha maturidade para compreender os números projetados, o resultado final pode não ser satisfatório.

De seu turno, a alternativa de Ederson deverá ser abortada, caso a escola não ofereça infraestrutura para a projeção do vídeo...

Portanto, a idealização de uma aula passa, necessariamente, pela consideração do perfil dos alunos, do tempo e da infraestrutura disponíveis, dentre outros fatores. Ou seja, ministrar uma aula não é nada fácil. É complexo identificar uma estratégia que se mostre eficaz, apta a promover o engajamento dos alunos, despertando a sua motivação e a sua curiosidade.

Mas é justamente no exercício diário dessa liberdade que se encontra uma das maiores alegrias de ser professor: esforçar-se, cada qual a seu modo, para abrir os olhos dos discentes para a riqueza da vida. Se tudo der certo, o aprendizado não acabará com o toque do sinal...


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