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Edição de quinta-feira ,14 de novembro de 2019.
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Ordem direta e concordância verbal



O verbo sempre concorda com seu sujeito. Todos decoraram este princípio geral da concordância verbal, mas poucos o adotaram. Por quê? Porque a maioria não procura o sujeito, tornando a regra sem efeito. Tomemos um exemplo bem simples:

- Se fatos novos não ocorrerem... Vamos achar o sujeito perguntando ao verbo: O que não ocorre? Resposta: fatos novos. Portanto, o verbo concorda com fatos novos; daí ocorrerem. Neste exemplo, o sujeito está em sua posição normal, ou seja, antes do verbo. Por essa razão, dificilmente alguém erraria. No entanto, ao colocarem o sujeito depois do verbo, muitos, por não o procurarem, errariam, escrevendo: Se não ocorrer fatos novos..., e assim descumpririam o princípio da concordância. Para fazer o verbo concordar com seu sujeito, a forma correta é esta: Se não ocorrerem fatos novos...

O melhor exemplo que conheço é o da primeira frase do Hino Nacional: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante. Vamos achar o sujeito: Quem ouviu? Resposta: As margens plácidas; como o verbo tem que concordar com o sujeito, só pode ser ouviram. Mas as margens ouvem? É claro que se trata de figura de linguagem. Aliás, são poucos os brasileiros que entendem o significado dessa frase, apesar de muitos se emocionarem quando a cantam. Observe o leitor como o entendimento ficaria fácil se o período estivesse na ordem direta, isto é, o sujeito antes do verbo e o objeto direto (o brado retumbante) imediatamente após o verbo, antes do complemento nominal (de um povo heroico):

- As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.

Conclusão: A não ser que a frase ganhe vigor, evite-se escrever em ordem indireta, por duas razões: primeiro, porque a ordem direta simplifica e acelera o entendimento do significado da frase (isso é da maior importância em tempos acelerados como os que vivemos) e, segundo, não se corre o risco de incorrer em erro de concordância.


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