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Porto Alegre (RS), terça-feira, 26 de maio de 2020.
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A posteriori / A priori



Por parecerem eruditas – e podem até ser –, as expressões a priori e a posteriori vêm sendo muito usadas e, com crescente frequência, de forma equivocada, pois usam-nas com os simples sentidos de depois e antes, respectivamente, quando não é esse o seu real significado. Isso ocorre em frases como estas: Realizou seu desejo a posteriori. A priori, informou que não participaria do evento.

Em a posteriori, subentende-se uma experiência com o apoio da qual, ou em decorrência dela, se realiza algo depois. Quando se diz, por exemplo, que o magistrado decidiu a posteriori, é porque a decisão se apoiou na análise dos fatos e nas suas experiências anteriores.

Em a priori, as coisas se invertem: contém o sentido de algo que se realiza antes de uma experiência, ou que a própria experiência não pode explicar. É a aceitação dos fatos independente da experiência. Quando o magistrado sentencia a priori é porque o faz sem o exame dos fatos, ou por sua aceitação inconteste, ou porque se trata de decisão provisória a ser posteriormente confirmada, ou não.

Desse uso equivocado se deduz: antes de usar determinada palavra ou expressão, é preciso dominar por completo seu real significado, sob pena de passar por ridículo.


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