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Edição de terça-feira ,19 de novembro de 2019.

Janot: “Ia ser assassinato mesmo; eu ia matar o Gilmar e depois me suicidar”



Pedro Ladeira / Uol – Banco de dados

Imagem da Matéria

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse ontem (26), ao Estadão que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, chegou a ir armado para uma sessão do STF com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. “Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar o Gilmar e depois me suicidar” - afirmou Janot. O texto da matéria original é do jornalista Valmar Hupsel Filho.

Segundo o ex-procurador-geral, logo depois de ele apresentar uma exceção de suspeição contra Gilmar, o ministro difundiu “uma história mentirosa” sobre sua filha. “E isso me tirou do sério.”

Em maio de 2017, Janot, na condição de chefe do Ministério Público Federal, pediu o impedimento de Gilmar na análise de um habeas corpus de Eike Batista, com o argumento de que a mulher do ministro, Guiomar Mendes, atuava no escritório Sérgio Bermudes, que advogava para o empresário.

Ao se defender em ofício à então presidente do STF, Gilmar afirmou que a filha de Janot – Letícia Ladeira Monteiro de Barros – advogava para a empreiteira OAS em processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo o ministro, a filha do ex-PGR poderia na época “ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”.

Foi logo depois que eu apresentei a exceção de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal... e aí eu saí do sério”, afirmou o ex-procurador-geral.

Janot disse que foi ao Supremo armado, antes da sessão, e encontrou Gilmar na antessala do cafezinho da Corte. “Ele estava sozinho”, disse. “Mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus”, repetiu o procurador ao justificar por que não concretizou a intenção. “

O ex-procurador-geral disse que estava se sentindo mal e pediu ao vice-procurador-geral da República o substituir na sessão do Supremo. A cena descrita acima não está narrada em detalhes no livro “Nada menos que tudo” (Editora Planeta), no qual relata sua atuação no comando da Operação Lava Jato.

Janot alega que narrou a cena, mas “sem dar nome aos bois”. O ex-procurador-geral da República diz que sua relação com Gilmar já não era boa até esse episódio, mas depois cortou contatos. “Eu sou um sujeito que não se incomoda de apanhar. Pode me bater à vontade... Eu tenho uma filha, se você for pai...”

Procurado pelo Estadão, Gilmar Mendes não havia se pronunciado até a publicação da reportagem.

Assunto na revista Veja

Essa situação de risco entre Janot e Gilmar também é matéria de capa da revista Veja, que está chegando às bancas nesta sexta-feira.

O ex PGR afirmou também que foi procurado por Aécio Neves e Michel Temer. “Eles me ofereceram cargos, para que eu paralisasse as investigações da Lava-Jato.

Atualização às 9h35

“Oportunismo e covardia”

Gilmar Mendes divulgou, na manhã desta sexta-feira (27), a seguinte nota:

“Dadas as palavras de um ex-procurador-geral da República, nada mais me resta além de lamentar o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia”.


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