Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira ,12 de novembro de 2019.

Processo é muito chato...



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Manhã hibernal, o jovem juiz recém empossado numa comarca bem interiorana no RS enfrenta, na primeira semana de suas atividades, uma ação de alimentos, ajuizada pela esposa, de lides domésticas. Casada há 30 anos, ela comprova ter sido abandonada pelo marido, passando a enfrentar privações alimentares e até carência de dinheiro para pagar a conta de luz.

Chamadas as partes, o magistrado informa ao varão - de forte apego às lides do campo - sobre suas obrigações. Estas são rechaçadas pelo próprio réu, por uma frase resoluta: “Pra ela eu não dou nem 100 reais”.

Segue-se então o diálogo:

- Se é assim, vou ter que mandar prendê-lo por 30 dias.

- Pois o senhor pode fazer isso, doutor, pois cadeia é lugar de macho!

Há, em seguida, um silêncio constrangedor, até o juiz tirar da algibeira uma alternativa:

- Então também vou lhe tocar um processo!...

Ao que responde o inadimplente:

- Por favor, doutor, isso não. Processo eu não quero, pois é muito chato. Já passei por duas dessas experiências no fórum. Então o senhor me diga quanto eu tenho que pagar por mês pra minha ex-mulher, que eu pago. Mas por favor, processo não!

E há, então, rápido o acordo.

Constata-se assim que, apesar de sua limitada cultura, o réu tinha abalizada noção da chatice burocrática que é uma ação judicial, com pilhas, tartarugas, estagiariocracia, os evasivos “aguarda juntada”, e “concluso para a sentença”, com demora de um, dois, três anos e outros quejandos.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

O inédito e imparcial sorteio

 

O inédito e imparcial sorteio

Como houve um impasse – aparentemente insolúvel - entre os irmãos Mário e Maria, o juiz decidiu que a solução seria um sorteio. Os interessados concordaram. A escrivã trouxe uma caixa e colocou os papeluchos. Coube ao estagiário, de olhos fechados, meter a mão e... 

Charge de Gerson Kauer

Serviços (in) eficientes de cama

 

Serviços (in) eficientes de cama

Depois do ajuste verbal, a extensão do programa sexual combinado não atende à expectativa do fazendeiro. Ele resolve então sustar o cheque que, antecipadamente, fora entregue à percanta. A questão foi parar no Juizado Especial Cível. Acompanhe a evolução e conheça o desfecho.

Charge de Gerson Kauer

A piscada do juiz

 

A piscada do juiz

A surpresa durante a audiência de uma ação de usucapião. Ao final do depoimento pessoal do réu, o magistrado piscou-lhe o olho e disse: “O senhor pode sair”. O texto é do advogado Carlos Alberto Bencke.

Charge de Gerson Kauer

A insólita arma do crime

 

A insólita arma do crime

O ineditismo de uma ação penal contra um caboclo que ficara esquecido no presídio. A acusação era por tentativa de homicídio: desconfiança (isso mesmo!) de que o réu lançaria uma cobra venenosa “surucucu-pico-de-jaca” contra o delegado de polícia de pequena cidade interiorana.

Charge de Gerson Kauer

Juiz do amor

 

Juiz do amor

Na sustentação oral em recurso derivado de uma ação de alimentos, o advogado suscita a suspeição de um dos magistrados: “O desembargador relator está na quinta esposa, tem cinco filhos, gasta grande parte do seu subsídio com pensões alimentícias”. O magistrado suscitado, então, invoca versos de Ivan Lins: “O amor tem feito coisas...”. O texto é de Carlos Alberto Bencke. (Aproveite para ver e escutar uma das performances do grande artista brasileiro).