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Edição de terça-feira , 15 de outubro de 2019.

A ímpia e injusta guerra...



Charge de Gerson Kauer

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O feriado de 20 de Setembro evoca os ideais da Revolução Farroupilha, cujo objetivo foi buscar melhores condições econômicas ao Rio Grande do Sul. Mas a história mais recente traz à lembrança um caso envolvendo conhecidos publicitários porto-alegrenses, quando - anos atrás - aqui aportaram os diretores de uma multinacional do tabaco para escolher as agências de propaganda que cuidariam da divulgação de produtos fumígenos.

Numa primeira rodada, os estrangeiros foram recepcionados pela ARP - Associação Rio-grandense de Propaganda. Era uma sexta-feira de final de setembro, calor extemporâneo, casa cheia, no Museu de Artes do RS.

No final do encontro, o presidente da ARP chamou os dirigentes da multinacional a um canto e segredou-lhes que, sem protocolos, seria feito para eles um churrasco típico no Country Club no dia seguinte, sábado. Só compareceriam os empresários estadunidense e os donos das maiores agências gaúchas que estavam no páreo. O traje seria informal, admitidas bermudas.

Recado dado, o dirigente da ARP percebeu que um publicitário bicão chegara de mansinho e ouvira o papo.

- Eu também vou, não aceito ser discriminado - disse o oferecido, todo pimpão.

Constatando que fora furado o esquema do ´petit comité´ para o dia seguinte, o presidente da ARP chamou o pretenso penetra a um canto e, para pregar-lhe uma peça, detalhou como seria, supostamente, o ágape informal.

- O churrasco pros americanos será típico e todos os publicitários estarão pilchados. É bom ires com tua patroa, melhor que ela esteja vestida de prenda. Levem também uma bandeira do Rio Grande. E pra incrementar cheguem com o carro tocando alto o Hino Rio-Grandense.

No sábado ao meio-dia, calor infernal, os americanos e os publicitários gaúchos estavam de bermudas e camisas pólo, à vontade, quando ouviram a buzina de uma pick-up e os primeiros acordes do Hino Farroupilha. Na carroceria, um casal pilchado sacudia com esforço uma enorme bandeira do RS, presa num mastro de três metros. Completando, um aparelho de som tocava o hino:

“Como a aurora precursora /
Do farol da divindade /
Foi o Vinte de Setembro /
O precursor da liberdade”.

A gozação foi geral. A história faz parte da coletânea "A Vida como Ela Foi", organizada pelo jornalista Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio.

Houve um detalhe que repercutiu no meio jurídico: na segunda-feira imediata, o publicitário e a esposa procuraram um novel escritório de advocacia, dispostos a buscar "uma indenização por dano moral".

Foram aconselhados pelo advogado - recém aposentado da magistratura - a que desistissem da ideia.


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