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Porto Alegre (RS), terça-feira,
31 de março de 2020.

Vá ler o CPC, doutora!



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Bernadete Kurtz, advogada (OAB/RS nº 6.937)

Advogada veterana, sempre acompanho o Espaço Vital. Terça da semana passada, ao ler o Romance Forense, “Atenção Excelências, celulares gravando”, logo imaginei: “´O Guerreiro´ deve ser o cara do gel”. (Antigamente era brilhantina, depois gumex, até chegar no gel).

Pois tratei de descobrir e/ou confirmar quem era “Guerreiro”, e não deu outra: era o “juiz engomadinho” - como os advogados o chamavam na época em que assumiu como juiz substituto, início da primeira década de 2000 – coisa de 16 ou 17 anos atrás. Aquela era uma maneira sutil de identificar o juiz arrogante e desrespeitoso!

Lembro da primeira tumultuada audiência – afinal “a primeira vez a gente nunca esquece” - em que participei com o “engomadinho” no comando. Ele parecia irritado, três testemunhas de cada lado, mais depoimentos pessoais, e o meritíssimo indeferindo tudo e mais um pouco. Fui-me irritando também, porque os indeferimentos eram todos contrários ao meu cliente. E a matéria era vínculo... ou seja: tudo ou nada!

Após trancos e barrancos, audiência quase concluída, fiz outro requerimento, que também foi indeferido, e mais uma vez houve o protesto... Aí o meritíssimo explodiu! Apoplético, pôs-se aos gritos. Recusou-se a registrar o protesto, alegando “estar farto de tudo isso”. Cheguei a temer que um ´piripaque´ o acometesse.

Novo extravasamento verbal, este emoldurado pelo jogar, à mesa, de um pesado exemplar do “CPC Comentado”, com uma sugestão proferida em altos decibéis: “Leia o Código, Doutora”.

Foi a gota... em gesto igual, devolvi o CPC e retruquei no mesmo alto tom de voz: “Leia você o CPC e a CLT, pois quando você entrou na faculdade, eu já andava por aqui, há anos”.

Foi um susto na sala, imediato silêncio total. Nada mais aconteceu de anormal, o protesto constou na ata, encerrou-se a audiência, levantei-me com meu cliente. E semanas depois o juiz titular assumiu, julgando a ação procedente.

Concluo que, nestes anos todos, o “engomadinho” – com o qual só fiz depois poucas audiências, todas sem incidentes - parece que ainda tem repertório sobre falta de urbanidade. Tadinho!

Ainda bem que, agora, há celulares com câmeras de última geração.


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