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Edição de terça-feira , 20 de agosto de 2019.
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Conectados, interdependentes e sem privacidade!



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A recente notícia da criação da moeda virtual Libra, pelo Facebook, criou um alvoroço na Europa: já há países pedindo pareceres aos bancos locais sobre o possível impacto desta criptomoeda no mercado e o quanto isto pode, ou não, ser prejudicial à economia. Inclusive nas palavras do ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, a Libra não pode e nem deve ser vista como substituta às notas normais ou virar "moeda soberana”.

E porque todo este medo?

Estamos falando do Facebook, a maior rede social do mundo, com mais de 2 bilhões de usuários (isto mesmo, dos 7, 3 bilhões de habitantes da Terra, mais de 2 bilhões têm Facebook). E não só isto: o Facebook controla a rede social que mais cresce no mundo, o Instagram e também tem controle sobre o maior aplicativo de mensagens no mundo, o Whatsapp.

Isto significa que o Facebook hoje tem - junto com o Google (que detém inúmeros títulos de sucesso, inclusive o Android em sendo o software mais usado móbile no mundo) - um banco de dados gigante sobre as pessoas, seus hábitos de uso, seus gostos e desgostos (curtir, amei, risada, bravo, chorando), entre outros dados de cadastro. Some-se a isto o fato de ele poder ter dados bancários, valores e muito mais, isto tudo sem controle estatal (pelo menos na teoria, já que na prática, o Facebook tem acordo de compartilhamento dos dados com o governo americano).

No mínimo, um poder incrível e sem precedentes na história para uma única empresa, comandada por um jovem empresário que mesmo já tendo respondido por invasão de privacidade dos usuários, segue na luta por mais dados.

Estamos conectados e achamos isto ON na nossa vida. Percebemos (ou não) que somos interdependentes uns dos outros, pois são curtidas que fazem anônimos famosos, são redes sociais que desbancam empresas de televisão (que viram seus faturamentos despencarem), são pessoas cada vez mais preocupadas com o que postar, como postar, quando postar… E a dita privacidade que fique para segundo plano!

E neste sentido, devemos pensar com carinho toda esta conexão, interdependência e o que estamos expondo publicamente e o que temos de dados que sequer lembramos que estão disponíveis no banco de dados das empresas. Entre eles, endereço, data de nascimento, cartão de crédito, etecetera.

Concordo com a preocupação do primeiro ministro francês: é muito poder para uma empresa. Só que ela está intimamente ligada a um governo específico com mania de grandeza e o poder econômico que as criptomoedas geram pode ser algo sem limites e sem consequências…

Regular pode ser uma maneira, mas proibir será inócuo… Precisamos compreender que as moedas virtuais têm um papel importante de disrupção no mercado e não será proibindo que evitaremos a mudança. Aliás, a única forma de realmente regular é participar, compreender e oportunizar que outros tenham as mesmas chances de mercado.

Taí um bom tema para todos nós pensarmos. Pois a criptomoeda irá, em instantes, ser lançada no mundo todo… Que lastro financeiro ela tem? As ações do Facebook que, dependendo do humor do mercado, podem cair em 30% em um dia?...

É, amigos leitores, o mundo não é mais previsível como era antes. Vamos ter que construir soluções diariamente a partir de agora!

#MãosaObra

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Coloco o meu endereço de e-mail à disposição dos leitores.
Comentários, sugestões etc. serão bem-vindos: gustavo@gustavorocha.com


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