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Edição de sexta-feira , 11 de outubro de 2019.

Manda Judis



Imagens: Freepik – Edição Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Rafael Berthold, advogado (OAB-RS nº 62.120)
rafael@seb.adv.br

Durante o convívio no dia-a-dia forense, conheceram-se um notável e experiente advogado e uma jovem e entusiasmada estudante de Direito. Solteiros que estavam, em pleno dia dos namorados, alguns anos atrás, combinaram de sair juntos para se conhecerem melhor.

O programa noturno confirmou a química do casal, mas o que sobrava ao causídico em experiência forense, faltava em relação às dinâmicas dos relacionamentos modernos. Sem querer ficar devendo em nada para os jovens mancebos, e na crença de que tal seria esperado de sua parte, enviou para ela a mensagem que, pelo que ouvira dizer, seria o mantra dos modernos relacionamentos:

– Manda nudes? – enviou ele, com a face ruborizada, temendo ofender sua amada.

Mas a moça achou uma graça e retribuiu o esforço do seu namorado, com uma foto de tirar o fôlego, acompanhada da seguinte mensagem:

E para provar que você gostou, me mande uma sua...

O causídico checou sua pulsação, temendo enfartar. Recompondo-se do (prazeroso) susto, percebeu o dilema: queria retribuir o carinho. Mas avaliou as consequências jurídicas de eventual vazamento de tais fotos. Como ficaria sua carreira, sua reputação?

Algumas horas depois, o advogado envia a resposta. Mas, ao invés de fotos sensuais (ou tão sensuais quando possível), a garota recebe um enorme e complexo Termo de Confidencialidade e Sigilo.

Passa-se mais algum tempo, até que o aviso de “digitando” aparece na tela do homem e, logo em seguida, a mensagem: “Amor, você escreveu 17 ´considerandos´ antes sequer de começar a redigir as cláusulas?

Ainda assim, em seguida ela complementa: “Que delícia!”

O homem não atentara para o trecho final da mensagem, mas o que aconteceu foi que, ao ler o documento, a estudante apaixonou-se pelo intelecto e conhecimento jurídico ímpar de sua cara metade. Sem perceber tal fato, e ainda inseguro, ele prossegue:

Gata, eu peço ‘venia’...

E antes que pudesse digitar qualquer outra coisa, o advogado é interrompido:

Ai, ’venia’? Isso pede ‘venia’ que eu adoro!

Sem compreender bem o que estava acontecendo e, com certa ingenuidade, ele responde:

Peço, sim. ‘Venia maxima’!

Ai, ‘venia maxima’ me deixa louca!

Amor, o que está acontecendo?

Mas ela já estava embalada e não queria saber de papo furado:

Não fala nada! - exclamou. Manda judis! Manda judis!

Finalmente, ele compreendeu o que estava acontecendo, e brindou-a com uma série de ´lato sensu´, ´contrario sensu´ e tudo quanto foi ´sensu!" A mulher ficou extasiada, empolgada com a relação que veio a terminar, poucos meses depois por outros motivos, mas que a deixou profundamente marcada. Tanto que, não raro, nos relacionamentos que vieram depois, ela não resistia em botar os pretendentes à prova:

Amor, manda judis?

Você quer dizer nudes? - perguntava um desavisado.

Não! Quero judis! Manda judis!


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