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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 10 de julho de 2020.
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“Tout va très bien, monsieur Renatô! Tout va très bien dans Gremiô!”



Arte de Gerson Kauer sobre foto do Youtube

Imagem da Matéria

Para a malta que só aposta nas “Côpas” e desdenha do Brasileirão, uma má notícia: o Grêmio tem só 3% de chances de entrar no G6, caminho para a Libertadores. Portanto, se para isso terá que fazer mais 55 pontos, parece que o percentual de aproveitamento, até agora, aponta para um lugar “tipo Sul Americana”, isso para não admitir que flertamos com o rebaixamento (argh, vade retro!).

Tudo começou com a moleza contra o Santos, o desdém contra o Avaí, a vergonha contra o Fluminense, o hiperfiasco contra o Ceará e a humilhação diante do Bahia. Tempestade perfeita para estar...no Z4. Sim, torcida gremista: o Grêmio está no Z4, com aproveitamento de 5 pontos em 21.

Mas, como diz Duda Kroeff – que “jamás tiene dudas” – tudo está bem. E, como diz Renato, “meu time é o melhor”.

Ouvindo Duda e Renato, lembrei de um livro de Alan Riding, intitulado “Paris, a Festa Continuou”, que trata da vida cultural de Paris durante a ocupação nazista.

Nesse livro, cuja leitura recomendo, há uma bela passagem, que fala de uma canção popular do ano de 1936, interpretada por Ray Ventura, chamada “Tout va très bien, Madame La Marquise” (´Tudo vai bem, Madame La Marquise´ – em tradução literal).

A canção denunciava o que a França fingia não ver: o cataclismo que se aproximava.

Na canção, os empregados de uma aristocrata continuavam a assegurar-lhe de que tudo estava bem, embora um incêndio tivesse tomado seu castelo, destruindo os estábulos e matando a sua égua favorita.

Além disso, o marido da madame cometera o suicídio, mas, ainda assim, não havia com o que se preocupar, porque “tout va très bien, Madame La Marquise”.

Na paródia que fiz do título da música de Ray Ventura, “tudo vai muito bem, senhor Renato” e tudo vai muito bem no Grêmio. O clube tricolor atualmente também pode ser parodiado por meio do filme italiano Stanno Tutti Bene (1990), com Marcelo Mastroianni (os filhos estavam todos “bem”: por exemplo, o que era maestro, na verdade apenas tocava um tambor!).

Mas estava tudo bem...

Como Madame La Marquise: tudo pegando fogo, mas Paris estava em festa!

Não posso descrever a situação do Grêmio de forma mais clara do que a partir da canção de Ray Ventura. “Tout va très bien”... Ah, vai mesmo.

O incêndio toma conta do castelo, os estábulos ardem, a égua está morta, o marido cometeu suicídio, os alemães estão às portas...mas “tout va très bien”!

Ah, claro, vai melhorar. Vai ter folga, para descanso!

Veja no YouTube a música Tout va très bien, Madame la Marquise, gravada em 1936


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