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Edição de terça-feira , 15 de outubro de 2019.

Prisão de 29 anos para mulher que matou afilhado com veneno no iogurte



Kevin Oswaldt / Rádio Acústica FM (Reprodução)

Imagem da Matéria

Laura Fernandes da Luz Drosdosky, acusada de colocar veneno no iogurte do afilhado para matá-lo em 2013, em Dom Feliciano, no Sul do Estado do RS, foi sentenciada ontem (30) a 29 anos e seis meses de prisão. A sentença reconheceu o homicídio quintuplicante, conforme as qualificadoras admitidas pelo Tribunal do Júri da comarca de Camaquã. Ela está presa e, só nessa condição, poderá recorrer ao TJRS.

Segundo o Ministério Público, a mulher matou o menino, de quatro anos, porque "não gostava dele e o achava mal educado". Para matar o afilhado, ela usou uma seringa, com a qual injetou inseticida em dois potes de iogurte e deu a ele como presente no dia do aniversário.

As qualificadoras do homicídio foram motivo fútil, com emprego de veneno, mediante dissimulação, recurso que dificultou defesa da vítima e também por ser crime cometido contra criança.

Além desse caso, a mulher já foi condenada pela morte da ex-sogra e duas tentativas de homicídio contra a ex-cunhada, mãe do menino. Com a sogra, usou o mesmo veneno, que foi colocado no chimarrão de Cecília Drosdosky, 72 anos, que morreu durante hospitalização posterior ao envenenamento.

Antes disso, Laura tentou, por duas vezes, matar a ex-cunhada. A primeira ocorreu em janeiro de 2013, quando ela colocou a droga carbofuran no suco da mulher, que foi tratada no hospital de Dom Feliciano. Quando estava se recuperando, novamente Laura colocou veneno no chá da mulher, que precisou ficar internada durante quatro dias.

Esses dois crimes ocorreram antes da morte do afilhado. Até então, não se sabia que a mulher estava envolvida nos casos, o que só foi descoberto após a morte do menino e a exumação do corpo da ex-sogra.

Em julgamento de recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça havia acolhido pedido apresentado pela Procuradoria de Recursos do MP e incluiu a qualificadora ‘motivo fútil’ na nova sentença de pronúncia contra Laura

No julgamento do recurso especial, o ministro relator Nefi Cordeiro levou em consideração “a existência de elementos probatórios indicativos de que a recorrida não gostava da vítima, considerando-a mal educada”. Nesse contexto, a decisão acerca da caracterização, ou não, da citada qualificadora ficou a cargo do Conselho de Sentença, sob pena de afronta à soberania do Tribunal do Júri.

Tentativas de homicídio contra ex-cunhada

Laura Fernandes da Luz Drosdosky já foi condenada a 16 anos e quatro meses de prisão em regime fechado (decisão reformada pelo TJRS, ao prover recurso de apelação do MP para ampliação da pena inicial, que havia sido de 14 anos e nove meses) por duas tentativas de homicídio contra a ex-cunhada, Claudiane Sodré Drosdosky.

Em 2 de janeiro de 2013, durante o almoço, Laura ofereceu um suco a Claudiane. No líquido havia sido adicionado o inseticida carbofuran. Claudiane começou a passar mal, foi tratada no Hospital de Dom Feliciano, o que impediu a sua morte. No final da tarde do mesmo dia, quando Claudiane estava em casa repousando, pela segunda vez Laura tentou matá-la, desta vez com chá de boldo com o mesmo veneno.

Em decorrência, Claudiane precisou ficar internada por quatro dias para escapar da morte.

Morte da ex-sogra

Pouco tempo depois, em 7 de abril, Laura Fernandes da Luz Drosdosky matou a ex-sogra, Cecília Drosdosky, com 72 anos, com o mesmo veneno, mas desta vez colocado no chimarrão. A vítima morreu no final da tarde, mesmo após tratamento emergencial no hospital.

O crime foi cometido por motivo fútil, pois Laura matou Cecília em razão de não gostar dela e considerá-la uma “mala-sem-alça”, além das qualificadoras emprego de veneno, dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima, e contra pessoa idosa.

Ela foi condenada pelo júri popular a 23 anos e seis meses de prisão em regime fechado – pena confirmada pelo TJRS.


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