Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 18 de junho de 2019.
https://www.espacovital.com.br/images/jus_colorada_5.jpg

O Internacional de Ildo Meneghetti, Hugo Chávez, Olívio Dutra e Jair Bolsonaro



Google Imagens

Imagem da Matéria

O objetivo de impor estatutariamente cláusulas de barreiras e requisitos para as chapas e as candidaturas nos clubes de futebol, sempre foi pelo temor da eventual instrumentalização da pessoa jurídica com natureza associativa, por seitas religiosas ou partidos políticos. Com isso preserva-se a necessária pluralidade do quadro social e das instâncias orgânicas, sem desvio de finalidade.

O Internacional é dos seus sócios e o que nos une é a paixão pelo futebol.

Tenho mais de três décadas no Conselho Deliberativo do Internacional e lembro do meu ingresso em 1988, quando fui acompanhado por outros sócios, dentre eles Olívio Dutra à época um ativo e importante membro do quadro do Partido dos Trabalhadores, prefeito de Porto Alegre – e acompanhado também pelo então general comandante do III Exército.

Integrávamos uma mesma chapa, apresentada pelo presidente Pedro Paulo Záchia.

O patrono do Clube, Dr. Ildo Meneghetti, jamais escondeu as suas posições e preferências ideológicas, tendo governado o Rio Grande do Sul no período da ditadura militar. Integrou a ARENA e, após a extinção desta, o PDS.

Além disso, é importante lembrar o que está registrado em uma placa no complexo Beira Rio: a área às margens do Rio Guaíba, onde foi erguido o Gigante, foi doada pelo Município de Porto Alegre, na gestão do então prefeito Leonel de Moura Brizola que sancionou a Lei nº 1651, de 9 de outubro de 1956.

Essa mescla só é possível porque como associados do Internacional sempre valorizamos como amálgama, aquilo que nos une e não o que nos separa.

Não faz muito, foi divulgada uma foto do Dr. Marcelo Medeiros, presidente do Internacional, agraciando Jair Bolsonaro com uma camiseta do clube.

Nos meus aproximadamente 12 anos como vice-presidente de áreas da administração do clube, testemunhei gestos da mesma natureza envolvendo renomados artistas, ministros de tribunais, integrantes da administração pública, independentemente das suas posições políticas ideológicas e partidárias.

O gesto envolvendo o atual Presidente da República, eleito democraticamente pelo voto direto, repetiu outros idênticos em favor de Lula e Dilma. Mas, apesar disso, houve uma reação incompreensível de lideranças e integrantes de um grupo político do Internacional, criticando a iniciativa.

A irracionalidade das críticas deve ter desencadeado um apagão na memória desses torcedores. Lembro muito bem do dia em que o Gigantinho, locado pelo CPERS para uma assembleia dos professores em greve, recebeu a visita de Hugo Chávez. À época, se não estou enganado o presidente era o Luigi. Como ação de marketing, foi destinado ao então mandatário da Venezuela uma camiseta do Internacional.

Isso não transformou o Internacional em uma entidade bolivariana.

Na última quarta-feira (14) foram realizados protestos em Porto Alegre por universitários da UFRGS, motivados pelos cortes orçamentários decorrentes de ato governamental. Como em todas as manifestações, havia bandeiras de partidos políticos identificados como à esquerda no espectro político e de outros movimentos sociais. Surpreendeu-me negativamente verificar que havia um grupo de manifestantes, utilizando sinalizadores vermelhos e ostentando uma faixa que indevidamente dizia: “INTER ANTIFASCISTA”. Ao lado dos dizeres estava estampado o símbolo do clube.

Estou entre aqueles que não aceitam essa manipulação irresponsável do nome e da marca do Sport Club Internacional. Aliás entendo que a direção do Internacional deve, em respeito aos limites impostos pelo Estatuto Social, buscar a identificação de quem fez isso e, caso sejam associados, puni-los.

Antecipadamente aviso que me chamar de fascista não cola. A minha biografia é bem outra.

Aliás, atualmente identificar quem é quem, está muito difícil. Não raramente há uma confusão conceitual. Não faz muito o presidente Bolsonaro afirmou que o nazismo se originou do socialismo.

Há no Internacional uma tentativa de apropriação indevida para a exploração político partidária. Quem é colorado, sabe do que estou falando e de quem está por trás de um determinado grupo político.

A foto está aí acima, basta ampliá-la, identificar e tomar as providências necessárias.

Não lembro de votar no Conselho Deliberativo se o clube era fascista ou não, se era comunista ou não, e tantos outros ´istas´.

Nossa agremiação é vermelha, popular e internacional mas por favor não confundam as coisas, somos apenas um clube de futebol.

Não venham surfar na grandeza e popularidade do nosso Colorado.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

Comentários

Banner publicitário

Mais artigos do autor

Chargista DUM

Mon amour, meu bem, ma femme...

 

Mon amour, meu bem, ma femme...

“Ao que tudo indica, pelo desastre do segundo encontro, a relação entre a naja e a flauta não foi das melhores. Há um vídeo que revela que Neymar levou uma surra da estuprada na cama, não em sentido figurado, mas surra de tapas e socos”.

Internacional anti oportunismo

“Há uma extrema preocupação com a eventual instrumentalização do Internacional para atender objetivos partidários. Os colorados podem ser liberais, comunistas, socialistas, de direita ou de esquerda, enfim o que quiserem desde que sejam colorados antes de tudo”

Futebol Report

O racismo e o futebol

 

O racismo e o futebol

“Nesta quarta-feira (8), no jogo entre Peñarol e Flamengo, parte da torcida uruguaia, chamava os jogadores brasileiros de ´macacos´.  Alguns, imitavam com gestos o animal em questão, aliás revelando um talento atávico. Isso me fez lembrar um episódio ocorrido no Estádio Olímpico, em 2011, defronte às sociais do dono da casa, quando o Zé Roberto (foto) aguardava para entrar em campo”

Reprodução do Canal ESPN

Tinga, eu e a velhice

 

Tinga, eu e a velhice

“Escrevo sobre esse admirável ex-atleta do Inter, não apenas para revelar uma experiência, mas para afirmar o quanto é difícil adequarmos a idade e as nossas limitações à vida”.