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Edição de terça-feira , 18 de junho de 2019.

Pena de 26 anos de prisão por matar padre dentro de igreja no RS



Fotos Michel Corazza (E) e http://rogeriomachadoblog.com.br (D)

Imagem da Matéria

O júri popular da comarca de Tapera (RS), condenou anteontem (24), o réu Jairo Paulinho Kolling a 26 anos e 10 meses de prisão, por matar o padre Eduardo Pegoraro na sala paroquial da igreja católica da referida cidade há quase quatro anos. O juiz Márcio César Sfredo determinou a execução imediata da pena, sem direito a recorrer em liberdade.

Jairo também foi condenado pela tentativa de homicídio contra Patrícia Kolling, que na época era sua mulher. Baleada, ela foi encaminhada a atendimento e sobreviveu. O réu ainda atirou na direção do próprio rosto, e também sobreviveu.

Segundo a acusação do Ministério Público, em 22 de maio de 2015 o homem agiu motivado por ciúmes e vingança, porque ele desconfiava que a mulher teria um relacionamento com o religioso.

O réu havia sido pronunciado por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e por homicídio tentado, triplamente qualificado (motivo fútil, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e por ter sido cometido contra mulher em razão do sexo feminino).

Patrícia foi ouvida durante o julgamento. Segundo ela, no dia anterior ao crime, "tudo estava normal". Já durante a noite, a situação mudou. Contou que o então marido perguntou se ela "tinha um caso com o padre – e, em seguida, ele me acertou um tapa", completou.

No dia seguinte, os dois foram à igreja, a fim de aclarar a situação. Ainda segundo Patrícia, o marido disse ao padre: "Você mandou mensagem para a minha mulher – em seguida ele apontou a arma na minha cara", contou. Ela procurou escapar, levando um tiro nas costas. O padre foi atingido por dois disparos no peito e morreu no local.

Conforme o Ministério Público, a mensagem de texto era um convite para os dois conversarem sobre os horários da aula de violão dos seminaristas, já que Patricia lecionava música. Ao fim da mensagem, o padre despedia-se com uma saudação abrangente: "Um grande abraço e um beijo".

O réu deduziu então que as vítimas teriam um "relacionamento amoroso".

Outrossim, o réu Jairo, em seu interrogatório, afirmou estar "cego" no dia do crime. Disse também estar arrependido. "Não é da minha conduta". Ele acrescentou que comprou a arma com a intenção de “proteger sua propriedade”.

A promotora Marisaura Fior rebateu a tese da defesa de que Kolling cometeu homicídio privilegiado. “Não houve provocação que motivasse o réu a estar sob domínio de violenta emoção”, enfatizou. O advogado de defesa, Carlos Eduardo Hoff da Silva, em sua explanação, sustentou que quando há ciúmes como motivação, não se configura o crime por motivo fútil.

O réu condenado já foi recolhido ao Presídio Estadual de Espumoso, cidade vizinha a uma distância de 14 km.


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