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Edição de terça-feira , 20 de agosto de 2019.
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Coração vermelho, vida que segue...



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Imagem da Matéria

Acredito que alguns leitores devem ter percebido o meu afastamento temporário que coincidiu com as finais do Campeonato Gaúcho.

Em um sábado de sol, acordei e fui me dedicar ao Tobias, o meu velho bulldog, companheiro de terceira idade. De súbito, senti uma dor lancinante no peito e nos braços. Sou daqueles que não procuram médicos e exames. Venci a resistência e liguei para o Dr. Rogério Gomes, cardiologista que me acompanha. Exposto o sintoma, veio a ordem: “Te manda para o Instituto do Coração”.

Lá, colocado em uma maca, fui submetido a um cateterismo. O exame ia sendo realizado e a narrativa do médico era taxativa: “Lesão importante no tronco e outras menores...”.

A localização da lesão mais significativa preocupava; houvesse uma obstrução repentina, o coração não receberia irrigação, seria fatal. Isso determinou que eu permanecesse por cinco dias na CTI visando a estabilização do quadro. Não podia deixar o leito para absolutamente nada.

Ali naquela CTI vivia uma comunidade cuja identidade era a cardiopatia. Falavam dos filhos, dos netos, dos cães, enfim de coisas singelas. Ninguém lamentava pela grande viagem ainda não concretizada, pelo carro sonho de consumo, ou algo semelhante. Sentiam falta daquilo que a vida tem de melhor: ausência de sobressaltos.

Aqueles dias e noites intermináveis fomentaram em mim profundas reflexões.

Uma constatação que me chamou a atenção. Pessoas mais velhas, quando enfrentam uma doença, não raro apresentam um quadro de desorganização mental. À noite, registrava em meus tímpanos gritos desesperados de homens de setenta ou mais anos chamando pela mãe. Obviamente também lembrava da minha, sendo que o traço comum é o de quanto seria importante o afeto delas naquele momento.

Bem, mas veio a indicação: uma mamária e duas safenas.

O cirurgião: Dr. Rogério Abrahão. Eram muitas as referências acerca da sua competência e, ao vivo, constatei o seu coloradismo. Ele é um daqueles que sabe tudo acerca do Internacional. Nossas interlocuções variavam de questões cardiológicas para esquemas táticos para os ´Grenais´ vindouros.

Bem, deu tudo certo, tanto que sou eu que escrevo o artigo, jurando não ser psicografado.

Pedi ao Abrahão que cuidasse para me manter colorado. Ele cuidou muito bem disso. Foi uma duríssima experiência, sendo que apenas a minha teimosia e ignorância permitiram que ela ocorresse. Fumo, ingesta em profusão de carnes gordas, estresse, sedentarismo, etc.

Se com esse relato é possível ajudar alguém, já será suficientemente gratificante.

Agora mais domesticado, mais adocicado, aproveito para cumprimentar o adversário pela conquista do Gauchão que queria para o Internacional.

Ainda, lamentar o falecimento do Sr. Verardi que conheci como homem disciplinado, honesto e organizado.

Retribuo, agradecendo, todas as manifestações.

Vida que segue.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser comentar ou esclarecer alguma notícia, disponha deste espaço.
Sua manifestação será veiculada em nossa próxima edição.

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