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Edição de terça-feira , 16 de abril de 2019.
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Pato Abbondanzieri no Internacional e a Libertadores



S.C. Internacional - Divulgação

Imagem da Matéria

Fossati, Pato e Bruno Silva pedem justiça a um dos bandeirinhas, após a marcação do pênalti

Em meados de fevereiro de 2010, quando estava como vice-presidente de Serviços Especializados e, ao mesmo tempo, diretor de futebol do Inter, recebi a tarefa de reunir-me com um empresário, no restaurante do Hotel Millenium, após um jogo do Campeonato Gaúcho, havido no Beira-Rio. Era uma missão secreta, especialmente não poderia ser revelada à imprensa.

Pelo hotel, passaram saindo do estádio, a totalidade dos repórteres e comentaristas de futebol. Todos estavam atiçados com a possibilidade de uma nova contratação, eis que a Libertadores se avizinhava.

Eu, respeitando o poder decisório do vice-presidente de futebol da época, confesso que nutria algumas dúvidas. Pesavam a idade do atleta em questão e as suas duas últimas temporadas.

O atleta havia permanecido em seu país e as incumbências negociais estavam cometidas ao seu empresário. Como sempre, todos nós já tínhamos definidos os nossos limites.

Em seguida aos exames médicos, cautela sempre adotada para não “pagar mico”, anunciamos no saite, à época um verdadeiro portal oficial do clube, a contratação do Pato Abbondanzieri.

Assim como eu, várias foram as dúvidas suscitadas pela imprensa, especialmente do Rio e de São Paulo que, ao contrário dos gaúchos, alimentam preconceito em desfavor dos argentinos.

Conheci o Pato, uma das figuras mais extraordinárias: inteligente, dedicado e talentoso. À época convivia com outra figura inigualável, que foi efetivamente vítima do preconceito aos estrangeiros no futebol. É bem verdade que relativamente aos atletas, o preconceito era mitigado pela qualidade. No caso, falo de Don Jorge Fossati, também acima de tudo um cidadão e que ousou disputar o fechadíssimo mercado de trabalho dos treinadores de futebol brasileiros.

Aos poucos, fui me convencendo do acerto da contratação em razão da Libertadores. Ela tornou-se convicção quando testemunhei, quando da marcação de um pênalti contra o Internacional, no Equador, em uma disputa que envolvia diretamente o Pato, a sua atuação fora dos “três paus”.

Calmamente Pato colocou a bola sob o braço, caminhou em direção do árbitro auxiliar, com quem trocou palavras, ao passo que quase todos os outros jogadores cercavam e gesticulavam ao árbitro principal.

O árbitro auxiliar dirigiu-se ao principal que, em continuidade, reverteu a marcação. Eu nunca havia presenciado algo semelhante.

Isso marcou definitivamente a autoridade moral do Pato Abbondanzieri no futebol da América do Sul e um passo seguro para a conquista do título.

Na quarta-feira (6) o Internacional iniciou a sua caminhada na Libertadores. Foi uma partida contra um adversário quase ingênuo e sem capacidade para qualificar o jogo. Mas, como se diz, ninguém chega por acaso na Libertadores. No segundo tempo o adversário conseguiu se articular e impor perigo ao Internacional.

O nosso time estabeleceu uma relação demasiadamente burocrática com a partida. Poderia ter sido muito mais ofensivo, sem a cautela demonstrada e com um meio-campo propositivo. Mas essa não foi a escolha do Odair.

Longe de mim querer futebol plástico, especialmente quando se fala em Libertadores. Valeu muito o resultado.

Bem, acompanhava a partida relembrando dos meus momentos nas duas Libertadores em que tive a oportunidade de estar no vestiário. O nosso goleiro Lomba, revelou-se um extraordinário goleiro. Seguro e talentoso. Quando exigido não deixou qualquer dúvida. Acredito que no mínimo três gols adversários foram evitados pela sua intervenção.

Mas não foi Lomba que me remeteu ao Pato de 2010; foi o Rafael Sobis. O Pato, mais valia para o Inter pela sua experiência e respeito do que pela sua impetuosidade em campo. Ele foi decisivo para a conquista do título.

Sobis, aquele que ajoelhado no gramado do antigo Beira-Rio, empunhando uma enorme bandeira colorada, festejava a conquista do título, hoje conta com os mesmos fatores que consagraram o Abbondanzieri: experiência e respeito.

Sobis teve a calma necessária para definir a partida, cobrando magnificamente a falta que levou ao gol. Um excelente início de caminhada. Gostei, pois o que não funcionou pode ser ajeitado com facilidade.

Vitória, sem cantá-la antes da hora, gera confiança para o vestiário, o que é indispensável.


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